A Alegria está de volta! – Por Benedito Gomes.

     Nos anos 60 e 70, em nossa bela e querida Parnaíba, nas noites de natal e ano novo, o parnaibano tinha dois lugares para passar nestas duas noites. Milhares passavam em casa, com a família, e centenas desciam para a Praça da Graça. Naquela época a cidade ia pouco além da Rua Tabajara, não existia Pinheiro Machado, Bairro Piauí, nada disso. O ponto de encontro da juventude e também de famílias, com crianças e tudo mais, era a Praça da Graça. O areial dominava os bairros, poucos tinham transportes, muitos desciam e subiam nos ônibus do Senhor Aguiar, a maioria fazia o percurso a pé, eu estava entre estes.
     As lojas no entorno da Praça e Rua Marechal Deodoro ficavam abertas até meia noite. Tanto a Praça como as lojas estavam embelezadas e enfeitadas com árvores de natal, cobertas de lâmpadas coloridas e pisca-pisca, era o que havia de mais moderno na época.
     Na noite de Natal o ponto forte era a missa da meia noite, ou “missa do galo”, como muita gente chamava. Depois da missa, já de madrugada, era o retorno para casa. Dava-se um aceno de mão para a banda que ainda tocava no coreto, em frente ao presépio, fazia-se o sinal da cruz e começava a caminhada para casa. Eram centenas caminhando, conversando, sorrindo, era só felicidade.
     A noite do dia 31 para o dia primeiro, ai mudava tudo: quase ninguém ficava em casa, a praça lotava. Ali pelas onze horas foguetes estouravam para todos os lados, pessoas se abraçavam, desejando feliz ano novo e começava a retirada de volta para casa e também para os bailes de réveillon, nos clubes da cidade.

Chega a década de oitenta, ai a cidade começa com um rápido crescimento em todas as direções: a Avenida São Sebastião vai do centro ao aeroporto; a Pinheiro Machado, cruza a cidade de ponta a ponta; nestas duas grandes avenidas e em outros lugares, lindos como a Avenida Nações Unidas “Beira Rio” vão surgindo restaurantes, bares, lanchonetes e mais uma infinidade de atrações, que fizeram com que diminuísse a vida noturna na Praça da Graça. O movimento diário sempre foi o mesmo, devido o forte comércio no centro da cidade, agencias bancárias e duas grandes e bonitas igrejas católicas nela instaladas.

    Durante décadas, a praça vem resistindo à administrações diversas. Cada cidadão que administrou nossa cidade, com o honroso título de Prefeito Municipal, fez o que foi possível, pela cidade como um todo, e em especial pela Praça da Graça, por ser o mais conhecido e mais belo logradouro público de Parnaíba. Nos últimos meses a Praça da Graça passou por uma restauração, aliás, por uma revitalização total. Mão Santa no comando da prefeitura e a Dra. Maria da Graça -“Gracinha”, na Secretaria de Infraestrutura, planejaram e executaram um belo projeto que deu luz e vida à Praça da Graça.

    Sábado, vinte e um de outubro, eu, minha esposa e um casal de amigos viemos às vinte horas fazer uma visita e desfrutar do belíssimo local em que foi transformado a nossa praça.
     Centenas de pessoas caminhavam de um lado para o outro. Em cada olhar uma surpresa com o que estavam vendo; em cada rosto um sorriso, pela felicidade de estarem ali. Crianças e adultos, admirando os gansos, atuais moradores recém chegados e hospedados. Para alegria de todos, a fonte luminosa jorrava água, com seus jatos coloridos e da Igreja Matriz ouvia-se cânticos religiosos e sons gregorianos, na celebração da santa missa. Agradecemos a Deus, agradecemos a todos: os gestores, técnicos e operários, que com seus conhecimentos souberam colocar cada coisa em seu lugar, para que voltasse a alegria, a grandeza e a beleza em nossa Praça da Graça.(Fotos:Walter Frota Fontenele)
(*)Benedito Gomes
Contador UFPI