Game Retro, por Rodrigo Ciarlini – 50 Consoles que Joguei #1 (PONG)

      Não é novidade para ninguém que o vídeo game veio para ficar. O que no passado era coisa de criança hoje se transformou em coisa séria e movimenta bilhões na economia mundial todos os anos. Inicialmente o vídeo game foi concebido para fins de treinamento militar. Algum tempo depois surgiu o PONG que é o primeiro videogame lucrativo da história. Com algumas moedas no bolso era possível jogar partidas com gráficos quadrados, não tão espetaculares, e jogabilidade limitada. Tudo isso em São Francisco, Califórnia, onde parece que tudo acontece no mundo da tecnologia. E assim nasceu um ícone dos vídeo games em 27 de Julho de 1972: a empresa Atari. No início só eram construídos games no estilo fliperama, conhecidos por lá como Arcades, só em 1974 a ATARI fez uma versão doméstica do PONG, o Home PONG. O protótipo consistia em um aparelho encaixado em um pedestal de madeira contendo mais de cem fios, que seriam eventualmente trocados por um único chip criado por Alcorn e Lee; o chip ainda não tinha sido testado e criado quando o protótipo foi construído. O chip foi terminado na segunda metade de 1974, e foi, na época, o chip de maior performance em um produto de consumidor. Em 1975 já era possível ter um destes em casa. Este console não chegou ao Brasil mais como colecionador consegui comprar em um leilão no EUA que rolou pelo Ebay como na foto abaixo.

      Em função do grande sucesso do PONG, o inventor da Magnavox Odyssey e do conceito do vídeo game abriu processo contra a Atari em 1974. A Magnavox argumentou que a Atari infringiu as patentes de Baer e seu conceito de ping-pong eletrônico baseado em registros detalhados que Sanders guardava do processo de design de Odyssey desde 1966. Magnavox ofereceu a Atari um acordo para ela se tornar uma licenciadora por US$ 0,7 milhões. Outras empresas que produziam clones de Pong teriam que pagar royalties. Além disso, Magnavox teria o direito sobre os produtos desenvolvidos pela Atari no decorrer do ano seguinte. Magnavox continuou com as ações legais contra as outras empresas, e os processos começaram logo após o acordo com Atari em junho de 1976.

      No Brasil quem iria sofrer era a Atari com o que podemos chamar de uma pirataria legalizada. A chegada do vídeo game em nosso país ocorreu no início da década de 80. Nos anos 80 era proibido, devido a legislação vigente, a importação de equipamentos eletrônicos em geral, principalmente os da área de informática. Videogames estavam incluídos nisto. Só seria possível fabricá-los aqui e por empresas brasileiras. Isto era uma forma de incentivar a indústria eletrônica nacional a se desenvolver. Não cabe aqui julgar se isso foi certo ou não mais o fato é que com isso ficamos muito atrasados em relação ao resto do mundo que acompanhou com mais intensidade o processo evolutivo dos computadores. O conjunto de leis, atos normativos e demais dispositivos legais que regulamentavam essa prática foi denominada “Reserva de Mercado”, a qual culminou com a Lei 7.232 de 29 de outubro de 1984. Existia um órgão do governo, a SEI (Secretaria Especial de Informática) que era responsável por tudo relacionado a área. Imaginem que os pretensos fabricantes dos aparelhos tinham que submeter o projeto à aprovação da SEI, a qual estipulava um cronograma de “nacionalização”, ou seja, quantas e quais peças seriam fabricadas aqui e quantas e quais, que no projeto original eram importadas, seriam sucessivamente substituídas por peças nacionais ou fabricadas aqui.

    Antes do vídeo game aterrissar de vez em terras tupiniquins e ser primeiramente vendido na antigas lojas de varejo como a Mesbla, a única forma de se obter um era trazendo de fora. Sendo assim, o acesso era para pouquíssimos.

    A única empresa estrangeira que parece ter obtido autorização do governo brasileiro para comercializar microcomputadores no país, nessa época, foi a HP – Hewlett-Packard, com seu modelo HP85B. A única restrição colocada pelo Governo foi a de que a máquina só poderia ser negociada para aplicações técnico-científicas, mas não para fins comerciais,

    Uma nova lei de informática foi aprovada pelo Congresso em 1991, alterando o conceito de empresa nacional para atrair o capital estrangeiro e criando novos incentivos fiscais. O fim da reserva de mercado, contudo, foi mantido e expirou conforme previsto, em Outubro de 1992 no governo Collor. Só daí em diante começamos a jogar vídeo game de verdade no Brasil e usar computadores menos atrasados.

Rodrigo Ciarlini

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