A trajetória do Santos Futebol Clube de Parnaíba nos anos de 1950 à 1960.

RESUMO: Este artigo foi idealizado visando a construção de uma história e memória do Santos Futebol Clube de Parnaíba-PI nas décadas de 1950 e 1960, a partir das memórias de seus primeiros dirigentes e jogadores na cidade de Parnaíba- PI. Para a construção metodológica dessa pesquisa, centrada na História Oral, foi embasada por teóricos como: Amando e Ferreira (2006), Le Goff (2003), Meihy (1996) e usada como método de investigação para a análise das experiências vividas em grupos. Este trabalho também busca descrever por meio da história do Santos Futebol Clube uma visão panorâmica do futebol na cidade de Parnaíba nas décadas de 1950 e 1960.

Palavras-chaves: Futebol. Memória. Santos Futebol Clube de Parnaíba.

  • INTRODUÇÃO

Este artigo tem como proposta analisar a história do Santos futebol clube o qual se originou no bairro “coroa”, hoje denominado Nossa Senhora do Carmo, o citado bairro tem sua localização na parte central da cidade. A pesquisa trás a criação e os títulos do citado time.

Sabemos que, clubes de futebol como o Santos podem cair no recinto do anonimato, no entanto, este clube produziu histórias de vida, podemos dizer que no campo da História foi protagonista. Sobre o ato de recordar, afirma: “Toda consciência do passado está fundada na memória. Através das lembranças recuperamos a consciência dos acontecimentos anteriores destituímos o ontem de hoje, e confirmamos o que já vivemos um passado” (LOWENTHAL, 1998, p.75).

Diante da narração do autor, percebe-se que a memória estabelece uma discussão entre passado e presente, porem os sujeitos que fizeram parte da história do Santos vivenciaram esta passagem e foram através dos relatos orais que produziram o conhecimento acerca da construção da história do Santos.

As informações que foram narradas e colhidas se deram pelas lembranças de um ex-dirigente e dois ex-atletas, neste caso configura-se como histórias de vida, partindo deste principio recorremos ao método da oralidade para esta pesquisa. Sobre método oral assim afirma:

A história oral é uma historia construída entorno de pessoas. Ela lança a vida para dentro da própria historia e isso alarga seu campo de ação. Admite heróis vindos não só dentre os lideres, mas dentre a maioria desconhecida do povo. […] traz a história para dentro da comunidade e extrai a historia de dentro da comunidade. Ajuda os menos privilegiados. (THOMPSON, 2002, p.44).

De acordo com Thompson, a aceitação da Historia Oral como metodologia para história torna-se importante na medida em que abre campo para explicitação de fenômenos de parte de uma sociedade que foi silenciada. No entanto, para conhecer a trajetória do Santos de Parnaíba, torna-se indispensável, o método que se insere adequadamente para esta pesquisa. Destacamos ainda que historiadores adeptos à História Oral procuram dar vez aos grupos marginalizados.

Diante do exposto, essa pesquisa visa responder a seguinte pergunta: Que histórias contam os primeiros dirigentes acerca da fundação do Santos Futebol Clube na cidade de Parnaíba na década de 1950?

E partido das narrativas e das memórias do ex-dirigente e dos ex-jogadores do Santos de Parnaíba e que iremos recordar sobre os feitos do time. Sobre o ato de recordar:

O processo de recorda é uma das principais fontes de identificarmos quando narramos uma história. Ao narrar uma historia identificamos o que pensamos que éramos no passado, quem pensamos que somos no presente e o que gostaríamos de ser. As histórias que relembramos não são representações exatas de nosso passado, mas trazem aspectos desse passado e os moldam para que se ajustem às nossas identidades e aspirações atuais. Assim podemos dizer que nossa identidade molda nossas reminiscências; quem acreditamos que somos no momento e o queremos ser afetam o que julgamos ter sido. Reminiscências são passados importantes que compomos para dar sentido à nossa vida, a medida que o tempo passa, e para que exista maior consonância entre identidades passadas e presentes. (THOMPSON, 1997, p. 57)

De acordo com o pensamento do autor as narrativas repassam experiências vivenciadas em grupos mas não individualizada, ao falarem das memórias dos ex-dirigente e ex-jogadores que enfatizaram a história do Santos através de seus relatos.

Teóricos tratam a memória pelos argumentos produzidos por atores sociais de um determinado individuo ou grupo inserido numa determinada comunidade. No entanto deve se entender que esses relatos produzem significados que mesmo sendo histórias de vidas passam pelo esquecimento, para que isso não aconteça pretendo salvar o registro da trajetória do Santos Futebol Clube do bairro do Carmo ao tempo de afirmar uma identidade local. Partindo desse principio pode se pensa que história e memória viajam juntas. “A memória e uma construção sobre o passado que e permitida, atualizada e renovada no tempo presente”. (DELGADO, 2010). A construção dos relatos dos interlocutores através de suas memórias procuramos conhecer a forma como esses dirigentes criaram o clube e como ele ser conseguiu suas vitórias e seu lugar no cenário do futebol de Parnaíba.

Um dos argumentos que trata essa via da história esta representado pelo esquecimento, se dá pela passagem do tempo, ao considerar que a fundação do Santos surgiu por inspiração de outras equipes que já existiam é por que alguém lembrou, assim acredito que o futebol promove a relação social ajuda a fortalecer os vínculos em favor da história do Bairro do Carmo e também da cidade de Parnaíba.

A discussão sobre a trajetória do Santos Futebol Clube como tema da pesquisa se enquadra na metodologia da história oral dos acontecimentos do passado, enquanto disciplina acadêmica, durante anos o registro histórico foi pautado no positivismo como linha dominante de registrar os feitos sobre as verdades históricas. As criticas a esse antigo pensamento de narrar a historia enquanto ciência.

Na pesquisa em questão adotarei a de campo, que remete a construção de relatos em forma de discurso produzidos por uma seleção de interlocutores, que por meio da observação exata serão transformados em fontes históricas os relatos dos entrevistados.

Diante da opção de escolher o método do trabalho de campo, nos dá condições de entrevistar os ex-atletas e dirigente no local da realização da pesquisa, no Bairro Nossa Senhora do Carmo.

As memórias podem ser tomadas como fontes puras pois estão embasadas sobre o relato de pessoas e como qualquer pessoa, pode cometer falhas ou até mesmo esquecimento, por tanto deve haver o cruzamento dos discursos literários. O método em discussão o da Historia Oral e que foi utilizado durante as investigações. Diferentemente das fontes documentais ao utilizar o método história oral para esta pesquisa permite o confronto direto com suas fontes enquanto pessoas para produção de discursos, que serão produzidos através de entrevistas. Sobre o ato de entrevista assim afirma:

Ainda que muitas pessoas confundam o ato da entrevista com a história oral, ela deve ser vista como uma das etapas do projeto. A entrevista possui degraus, a saber: pré-entrevista, entrevista, e pós-entrevista. […] A pré-entrevista corresponde à etapa de preparação do encontro em que se dará a gravação. É importante que haja, sempre que possível, um entendimento preparatório para que as pessoas a ser entrevistadas tenham conhecimento do projeto e do âmbito de sua participação (MEIHY, 1996, p. 55).

Ao trabalhamos com a Nova História cultural, adepta à método oral, como eixo de pesquisa visa contribuir com o processo de seleção dos entrevistados pois o mesmo se dará por meio de entrevistas onde os eleitos repassaram relatos que foram vivenciado no seu dia a dia, lembrando que esses relatos só sairão do senso comum com o olhar critico do historiador.

De acordo com Goode e Hart (1969, p. 237) a entrevista “consiste no desenvolvimento de precisão, focalizando, fidedignidade e validade de um certo ato social como a conversão”. Ao utilizar esse procedimento de pesquisa possibilitar identificar relatos de pessoas que estão de posse de importantes informações de um objeto de pesquisa exploratório, nesta direção identificamos a história e memória do Santos Futebol Clube.

A pesquisa se dará pelo o método da História oral por meio da observação planejada onde foram colhidos depoimentos com ajuda de equipamento eletrônicos de áudio, sem deixar de mencionar a utilização de fontes escritas. O objeto estudado se insere na Pesquisa empírica, que em outras situações também pode ser identificada de trabalho de campo, conforme menciona: (PRESTES, 2011, p.29) “A pesquisa empírica é aquela dedicada a codificar a lado mensurável da realidade, ou seja, ocupa-se daquilo que pode se medido”, permite emitir parecer de caráter exploratório das relações de vivencia das pessoas e objeto.

O Futebol como prática esportiva tem características de mobilizar pessoas de variadas classes sociais no Brasil, não é diferente o que acontece no Piauí, em Parnaíba, a situação se repete. Desde os primeiros vestígios apontam como um esporte abrangente da miscigenação, nestes termos se pensar que sua pratica é desenvolvida pela coletividade em um espaço publico. Conforme remete o autor, além da competitividade que o esporte requer pode-se pensar como práticas recreativas. Assim afirma:

Tanto os jogos quanto aos treinos aconteciam no lago da matriz, atual praça da graça […] dessas competições da época que de eram grandes acontecimentos, realizava-se sempre aos domingos em caráter de empolgar os torcedores e também aos clubes participantes, os quais se esforçavam para serem destacados entre os melhores. E assim, a partir de 1912, surgiram na cidade os primeiros clubes de futebol. (BRITO, 2013, p. 27)

Nesse contexto de mobilização coletiva e de criação de clubes de futebol em Parnaíba é que surgirá o Santos Futebol Clube. Sobre a criação do time do Santos. F. C, iremos recorrer a memória de pessoas que vivenciaram a época de sua fundação.

Nesta perspectiva em que a cidade de Parnaíba rumava para o seu desenvolvimento econômico com base no extrativismo comercial, abria espaço para a surgimento da diversão e do lazer, situação que pode ser entendida como um contraste com aqueles que ocupavam o seu tempo no trabalho mais destinavam uma parte para a pratica do jogo de futebol.

As transformações evidenciadas nas décadas de, 1950 a 1970 são de caráter econômico, porém podemos analisar que vários bairros da cidade de Parnaíba começaram a ganhar representações futebolísticas, ou seja, clubes de futebol que começaram ser criados em Parnaíba nas diversas comunidades. “Esses clubes faziam a diversão dos torcedores parnaibanos” (SANTOS, 2005, p. 47).

A história do Santos Futebol Clube pode ser comparada com as historias de várias instituições de futebol que foram construídas ao longo do tempo, por tanto conhecer a vivência histórica do objeto em estudo e de que maneira o clube se relacionava com a sua comunidade. Assim recorremos a memória para o processo de reconstrução sobre a história do Santos Futebol Clube.

O conceito de memória é crucial […] torna-se senhores da memória e do esquecimento é uma das grandes preocupações das classes, dos grupos, dos indivíduos que dominaram e dominam as sociedades históricas. Os esquecimentos e os silêncios da historia são reveladores desses mecanismos de manipulação da memória coletiva. (NASCIMENTO apud SOUSA, 2011, p. 243).

Conforme repassa o autor, trata da importância em que pessoas e grupos passaram a ter para a história, através das vivências, trazendo os acontecimentos vividos para o presente.

  • A ORIGEM DO SANTOS FUTEBOL CLUBE

Assim sobre essa construção do passado e as memórias da criação do time do Santos Futebol Clube e que iremos nos atentar as narrativa do senhor Euzébio Rodrigues da Costa, onde mesmo tem um papel fundamental para o processo de criação do Santos, sendo um dos incentivadores para a fundação do clube, ele fez parte da diretoria e no decorrer no processo de criação e estruturação do time, além de atuar como técnico nos dois títulos conquistados do clube em 1966 e 1968 e na conquista do vice campeonato de 1967. Ainda segundo:

O motivo de fundar o Santos Futebol Clube e por que todo bairro tinha um clube jogando, e nos não tinha nosso time aqui, era só brincadeira nos resolvemos fundar um time, eu, Ló, Celso, Levi os quatro colegas ai formamos o Santos e começamos a jogar no subúrbio. […] assim cada subúrbio tinha um time um clube. O Santos foi fundado em 09 de maio de 1952. (COSTA, 2014, p.1).

No tocante a fundação do Santos Futebol Clube na cidade de Parnaíba, em seu processo de criação se verificou uma organização no que diz respeito a sua estrutura, o mesmo tinha uma sede própria assim nos relata o senhor Demetrio Aranha Viriato, o mesmo participou tão somente como atleta do clube na conquista do titulo de 1968. Assim afirma:

Assim que foi fundado o time não tinha sede, depois foi que botaram para a casa do Celso. Mas primeiramente era no Assis, na casa do Assis […] não era a sede era só reunião ai depois que começou mas desenvolver o Santos ai foi que montaram a sede do Santos Futebol Clube na casa do Celso. (VIRIATO, 2014, p.1)

Segundo as lembranças do senhor Viriato foi a partir desses encontros de seus dirigentes que se propuseram criar uma sede própria do time, assim iniciando a trajetória da informalidade e proporcionando um principio de organização e caracterizando-se em um time semi profissional. Em sua caminhada depois de sua fundação, o Santos Futebol Clube foi protagonista de inúmeros partidas realizadas em campos de outros bairros e em seu próprio campo. Ainda segundo:

O Santos futebol clube Participava de jogos entre bairros, não era torneio, cada qual tinha o seu campo, tinha jogo lá, um ia lá e o outro vinha aqui, ai as vezes tinha arbitro que cobrava para apitar, um time dava uma parte e o outro dava o outra. (VIRIATO, 2014, p. 2)

A partir do relato do senhor Viriato o mesmo deixa claro as dificuldades no processo de fundação e existência do time as quais eram enfrentadas pelo os seus dirigentes além de mencionar como se dava os jogos que serviam como preparação física e técnica. “Os jogadores compravam seu próprio material, e o clube, fazia ainda esporadicamente, bingos e movimentos sociais.” (DIÁRIO POPULAR, 1989). Tinham aqueles que faziam doações. Ainda segundo:

Capuchinho era um dos interessados do Santos também […] faziam uma coletazinha aqueles que tinha uma mercearia. […] o time era tão ruim de situação que as primeiras camisas comprava o pano para fazer as camisas, eram brancas que fazia se eu não me engano não sei se era a Delma irmã do Euzébio eu sei que tinha uma pessoa aqui na coroa que fazia. (VIRIATO, 2014, p.1)

Assim como o Santos Futebol Clube de Parnaíba outros clubes do Brasil a também passaram por dificuldades financeiras no processo de sua criação e estruturação, como aponta FRANCO JR. “Equipes e clubes foi constituída por iniciativa de pequenos comerciantes, operários e artesãos[…] como o internacional em 1909; Corinthians 1910” (FRANCO JR, 2007, p. 64).

Depois de sua fundação e da criação de sua sede, os dirigentes do Santos juntamente com alguns incentivadores e torcedores resolveram criar um estatuto, para assim poderem escrever o Santos na Liga Parnaibana de Desporto (LPD) sobre esse feito assim narra o senhor:

O seu Tiago José da Silva era chefe da estiva nesse tempo, aqui gostava muito do Santos, ai ele pediu o estatuto do Santos […] já fizemos, agora tem que publicar aqui no cartório, tem que oficializar no cartório reconhecer a firma pra mandar pra Teresina ai de Teresina vim pra car dando oportunidade de nos jogar na Liga Parnaibana de Futebol. Ai o Tiago pegou o documento aqui disse que ia olha lá em Teresina como é que tava a situação, quando ele veio, já vinha com o diário publicado o time já tava oficializado pra entrar na Liga ai foi um levante muito grande, ai nos compramos o material entramos na Liga. (COSTA, 2014, p. 2)

Como qualquer outra agremiação esportiva, o Santos F.C, que o dia passou na informalidade é chegada a hora de emergir oficialmente para o futebol Parnaibano com a criação de seu estatuto, assim legitimando sua personalidade jurídica juntos aos órgãos que dão legitimação a pratica do futebol no país.

Após a fundação do Santos Futebol Clube o mesmo inicia as suas atividades desportivas na mesma época,  participando tão somente de campeonatos suburbanos, para somente “em 10 de dezembro de 1959, os dirigentes resolveram fazer o estatuto da sociedade, bem como escrevê-lo para participar dos campeonatos, promovidos pela Liga Paraibana de Desporto”. (DIÁRIO POPULAR, 1989)

Esse estatuto também evidencia a primeira diretoria eleita para um mandato de um ano “foi criada oficialmente, a sua primeira diretoria eleita assim como posta”. (DIÁRIO POPULAR, 1989).

Imagem 2.

Primeira Diretoria do Santos Futebol Clube 10 de dezembro de 1959.

Fonte: Arquivo particular do senhor Prêntice Medeiros de Albuquerque.

A imagem do documento mesmo com um aparente desgaste por causa do tempo, evidencia os nomes dos primeiros dirigentes eleitos para assumirem a diretoria do Santos Futebol Clube depois da criação do estatuto, assim são eles dispostos: Presidente- Onizio Rodrigues Eloi, Vice Presidente- Francisco José Pinto Gomes, 1° Secretario- João Martins Alves da Silva, 2° Secretario- Levi Alves Martins, 1° Tesoureiro- Celso Lima dos Santos, 2° Tesoureiro- José de Ribamar Pereira Lima, Diretor Técnico- Euzébio Rodrigues da Costa, Diretor Social- Luis de Lima Rodrigues.

Outro mecanismo para a estruturação do Santos F.C, além dos já criados como o estatuto e sua sede se deu com a implantação dos sócios torcedores.

Imagem 3.

Carteira de sócio torcedor do Santos Futebol Clube 1962.

Fonte: Arquivo pessoal do senhor Euzébio Rodrigues Costa.

A fotografia acima mesmo com estado de conservação contendo algumas imperfeições, pertence ao senhor Euzébio Rodrigues Costa, um dos fundadores do time sedo o mesmo ex-jogador, esta carteira de sócio torcedor representa a fase e um símbolo da organização e estruturação que o Santos Futebol Clube sofreu para fazer frente aos outros clubes existentes.

Essa fase se deu também com a participação do time na Liga Parnaibana de Desporto. “Desde quando entrou no campeonato da Liga Parnaíbana de Desporto, o Santos a cada ano, tentava acertar o time, e finalmente no final de […] 1965, o Santos aprontou o time para disputar e ganhar finalmente o campeonato Parnaibano.”(DIARIO POPULAR 1989)

As lembranças do senhor Viriato, a época já atuando como jogador do time do Santos Futebol Clube da Parnaíba são repletas de emoções ao relatar esse período de trabalho evidenciados pelos treinos diuturnamente. Ainda segundo:

Os treinos eram no campo do Santos, não tinha na segunda feira e no sábado, durante a semana de terça ate sexta feira tinha treino, que organizava era o Euzébio ate o saco de material ele leva só tinha uma bola se fura  ele ainda ia na casa dele consertar a bola, nos ficávamos esperando matando muriçoca no campo […] começava 5 horas e 5 e 20 da tarde, ai também tinha vezes, tinha um de madrugada […] tem treino amanha tem chá de burro ai todo mundo ia. (VIRIATO, 2014, p. 2)

Os relatos do senhor Viriato nos dão uma mostra de quanto o time do Santos F.C, juntamente com seus jogadores valorizavam os jogos e as competições, mostra disso são os treinos que ajudaram no condicionamento físico dos jogadores, com isso proporcionando ao time uma melhor técnica a frente de seus adversários, nesse ritmo de treinos o time se aprontou e sagrou se campeão pela primeira vez da (LPD) Liga Parnaibana de Desporto em 1966, assim afirma:

Fomos campeão em 66, em 67 fomos vice e 68 campeão. Para nós foi um orgulho muito grande, agente conseguir vencer, e tirar a má impressão que a coroa não ganhava jogo, nos tiramos essa impressão graças a Deus, e quando terminou o campeonato para nós a primeira conquista foi muito boa. […] Aquele tempo todo mundo fazia as coisas por amor amizade recebemos muito carrinho de todo mundo, a Liga veio direto a casa do Celso cumprimentar a nós da os parabéns pela conquistas, e tudo mais, foi uma coisa muito fantástica pra nos não teve negocio de premio. Quando terminou o campeonato Parnaibano, o Santos era o melhor time da cidade daquela época. (COSTA, 2014, p. 2)

Quando o senhor Costa relata o episódio da primeira conquista do Santos Futebol Clube, entende-se que o sentimento da equipe era mostrar a todos que o time da coroa poderia conquistar um campeonato. Essa vitória serviria para levantar a alto estima do bairro e do time perante a sociedade Parnaibana. Depois de um período de espera por parte dos torcedores dos dirigentes enfim chegada a hora do Santos Futebol Clube erguer sua primeira taça de campeão e entrar para a galeria dos grandes clubes que tiveram a honra de sagrasse campeões da (LPD).

Imagem 4.

Santos Futebol Clube Campeão de 1966.

Em pé da esquerda para a direita o presidente José Wilson Ferreira, técnico Euzébio, Pedro Falcão, Zé Luis, Café, Barroso, Cícero, Alberto, Pantico e João Martins. Agachados: Pedro, Ary, Eno, Batoré e Alemão.

Fonte: Arquivo pessoal de José Luis Lucas Filho.

Na fotografia a cima, conta com a presença dos jogadores e da comissão técnica que participaram da final de 1966 no Estádio Petrônio Portela (antigo campo do internacional).

Essa foto foi tirada no campo do Santos F.C, onde hoje estar estalada uma fábrica de reciclagem nas proximidades do atual Igara clube, entre a avenida Governador Chagas Rodrigues e rua Benjamin Constant.

Ao termino da competição o Santos sagrou-se campeão da (LPD), e alguns jogares desse elenco foram destaques do campeonato parnaibano em 1966 como menciona:

O Ari, o Zé Luis na época foi considerado o melhor beque da cidade, o Café, Luizinho, Barroso os destaques do time, o café foi considerado o melhor beque central do estado. […] O Zé Luis era um dos maiores destaque dos Santos era considerado o maior beque central da Parnaíba. O Parnaíba pelejou para levar ele do Santos. (COSTA, 2014, p. 1, 2)

A fala do senhor Costa cheia de entusiasmos ao mencionar os destaques do time do Santos Futebol Clube, Campeão em 1966, retrata o potencial do time e dos jogadores, sendo que muitos desses jogadores tiveram a oportunidade de sair do time mais não saíram por amor ao time do Santos Futebol Clube. Com isso subtende-se que o time dos Santos contribuiu para a valorização do futebol Parnaibano no momento que seus jogadores são reconhecidos pelos órgãos reguladores do futebol.

Em Parnaíba tinham dois campeonatos onde o time do Santos participava, e uma competição envolvendo a cidade de Parnaíba e Campo Maior. Além dessas competições o Santos também fazia excursões no período em que não estava participando do campeonato da (LPD) Liga Parnaibana de Desporto e participava de jogos contra times locais e de fora da cidade, sobre esses fatos assim se posiciona:

Campeonato Heróis do Jenipapo, cidade de Parnaíba, Campeonato da Parnaíba nos disputávamos ate o final do ano. O Santos não parava em Parnaíba ia para Piripiri, Camocim, Campo Maior, nos tínhamos o conjunto. O Santos não ficava em casa […] Camocim nos fomos bem umas cinco vezes ou mais, Tutoia, Campo Maior, Piripiri que fez o futebol de Piripiri foi o Santos, fomos ate Granja. […] Nos jogamos com o Ferroviário de Fortaleza aqui, essa partida por 500 mil reis. (COSTA, 2014, p. 2)

As lembranças do senhor Costa são carregadas de empolgação ao retratar o período onde o Santos F.C, era referencia na região norte e em Parnaíba no quesito futebol, sendo por muitas vezes representante da cidade em outras competições fora da cidade.

A melhor época vivenciada pelo time do Santos Futebol Clube se deu na década de 60, com as conquistas dos títulos da (LPD) de 1966 1968. Com o titulo de 1968 o Santos Futebol Clube tinha a hegemonia do esporte de Parnaíba fato que e evidenciado com a conquista do titulo que se deu de forma invicta assim menciona:

Em 68 estávamos mandando em tudo fizemos um time, foi invicto, a base era a mesma de 66, só alguns alterações nunca tirar o principal, as pecas chave. Nós tinha um plantel um conjunto tão muito forte às vezes nos pegávamos um gol no primeiro tempo no segundo tempo o Santos tirava, é só a conta os outros casava, o time tinha um preparo físico nos íamos no Catanduva e voltava no pique de madrugada chegava aqui tomava um copo de chá de burro tomava um banho, todo dia nos treinávamos.(COSTA, 2014, p. 2)

O relato do senhor Costa e cheio de emoção ao mencionar o titulo de 1968, período de grandes conquistas evidenciados por um bom conjunto e um bom condicionamento físico, esses fatores conduzirão ao time ao topo do futebol Parnaibano.

Ainda sobre a conquista do titulo de 1968 que consagrou o Santos como campeão. Desse feito saíram alguns jogadores como destaques que foram contratados ao termino da edição do campeonato de1968, segundo o senhor Francisco Ilson de Sousa Silva o citado entrevistado, atuou tão somente como atleta, sendo um dos que participarão da final de 1968, se tornando um dos destaque daquele ano:

O Santos […] foi campeão invicto certo só com jogador do bairro prata da casa, e nesse campeonato tiveram três jogadores que saiu do santos para o Parnaíba que foi o Ilson café e o neném e trouxeram benéfico por que trouxeram o titulo pra coroa ne que hoje é bairro do Carmo […] o povo ficaram muito satisfeito com esse titulo […] A torcida […] tava em peso no enfaixamento tava lá todo mundo as madrinhas dos jogadores e aquela festa bonita que teve quando foi a noite teve festa na sede do Santos […] Esse jogo nos jogamos contra o fluminense e esse jogo tava 1 a 0 pro fluminense ai o nosso time foi pra cima foi pra cima e o Eno empatou o jogo 1 a 1 e no segundo tempo o outro gol foi do nosso lateral esquerdo Barroso 2 a 1.(SILVA, 2014, p. 1)

O senhor Silva nos relata com entusiasmo a partida que consagrou o time do Santos, como campeão de Parnaíba sendo que esta conquista se deu de forma invicta, ele também menciona o quanto a torcida vibrou com a conquista do titulo e da euforia com que foram recepcionados pelos os moradores do bairro na sede do clube, localizada na rua Sergipe n° 34.

Imagem.5

Santos Futebol Clube Campeão de 1968.

Fonte: Arquivo pessoal do senhor. Francisco José dos Santos.

Em pé da esquerda para a direita: Celso, Taxinha, Esquerda, Suçuarana, Pereira, Barroso, Café, Zezé Boi, Haroldo, Alberto, Batoré, Zequinha, Juruta, Luiz Ferro Velho, Euzébio e João Martins.Agachados, da direita para a esquerda: Gungum, Demetrio, Ary, Chagas Rapadura, Eno, José Silva, Claudio, Neném, Ilson.

A imagem traz os jogadores que sagraram–se campeões no ano de 1968, sendo que a mesma foi tirada no campo do Petrônio Portela (antigo campo do internacional) em setembro de 1968. Sendo que essa fase do time é apontada por ex-jogadores como sendo a melhor em que o time vivenciou, onde nesse período o time sagro-se campão invicto do campeonato da (LPD).

Se apossando dos relatos dos entrevistados referente o período das glorias e das conquistas evidenciadas pelos os dois títulos da (LPD) e das partidas em que o time era convida a fazer fora de Parnaíba. Depois desse período de conquistas o Santos Futebol Clube não mais conseguiu acertar o time para o próximos campeonatos isso e evidencia pela a falta de títulos. Outros prováveis motivos que propiciaram esse enfraquecimento foram a evasão de sua prata da casa, para clubes times de maior visibilidade, a desorganização da Liga Parnaibana de Desporto e a aquisição do estádio do internacional para o Parnaíba Esporte Clube também podem se apontados como possíveis motivos dessa fase de declínio que se instalou no Santos Futebol Clube.

Mas entende-se também que a falta de ousadia por parte dos dirigentes que não acompanharam a modernidade do futebol, e não souberam estrutura ações de revitalização como arregimentar sócios e promover eventos de arrecadação para o pleno desenvolvimento e sobrevivência do clube. Podemos ainda mencionar possíveis falhas nas gestões pós-títulos, além dessas deficiências que já foram mencionadas encontramos ainda falhas no tocante ao estimulo para com a manutenção das categorias de base. Contudo essas ações são primordiais para a revitalização do clube a frente do futebol moderno.

  • CONSIDERAÇÕES FINAIS

Trazer a tona as histórias contadas pelo dirigente do Santos Futebol Clube na década de 1950, trata-se de conhecer as suas conquistas e dificuldades, o resgate da história do Santos proporcionou aos moradores do bairro, conhecerem como se davam as atividades desportivas, onde treinavam os jogadores em que competições participaram, onde era feito as reuniões e quem ajudava financeiramente ao time.

No que diz respeito a sua contribuição para fins de estudos, essa pesquisa vai ajudar a futuros trabalhos acadêmicos que venham a falar sobre o futebol na cidade de Parnaíba, a partir da história e memória do Santos F.C, de Parnaíba acrescentado ainda como eram desenvolvidas as atividades desportivas.

Em âmbito pessoal, essa pesquisa será útil porque como professor de história e pesquisador, além da satisfação de estar conhecendo a história do time do bairro onde passei minha infância onde meu avô e meu pai jogaram, a pesquisa proporcionou-me ter contatos com outros projetos e outros autores que só vieram a contribuir para aumentar o meu conhecimento sobre o Santos e o futebol.

No tocante prática do futebol na cidade de Parnaíba na década de 1950, período em que a cidade estava em seu auge do desenvolvimento econômico oriundo do extrativismo vegetal tendo como sua mola propulsora produtos de origem da carnaúba, o intenso comércio proporcionou o surgimento de clubes de futebol entre eles o Santos Futebol Clube de Parnaíba.

Este artigo se debruçou sobre os levantamentos acerca das histórias do Santos Futebol Clube nas décadas de 1950 a 1960, sem deixar de mencionar o futebol na cidade de Parnaíba, sendo que as coletas das informações se deram por meio das memórias e dos relatos orais, e dos registro documentais.

A metodologia da história oral que se aplicou por meio das entrevistas realizadas no bairro Nossa Senhora do Carmo, antiga coroa, em Parnaíba Piauí, onde foram relatadas as histórias do Santos Futebol Clube, assim como os fatos relevantes ao processo de reconstrução de seu passado.

Esse artigo procurou responder os questionamentos sobre a história do Santos Futebol Clube, assim torna-se um importante agente contribuidor para a comunidade acadêmica, sendo que o tema precisa ser mais explorado na academia.

Ao longo dessa pesquisa tentamos almejar os objetivos sugeridos por meio das narrativas dos ex-jogadores e ex-dirigentes do Santos Futebol Clube da Parnaíba. Assim subentende-se que foram respondidas os questionamentos acerca da reconstrução da história do Santos Futebol Clube na década de 1950 a 1960. As pesquisas referentes ao futebol e o Santos F.C, de Parnaíba devem ser aprofundados por outros pesquisadores assim ajudando no processo de reconstrução da historiografia piauiense no âmbito do futebol.

Jean Oliveira Lucas

E-mail: jeanolucas@hotmail.com

Graduado em História pela Faculdade Internacional do Delta (FID).

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________. Destaque esportivo. Diário popular, Parnaíba, 10 a 16, junho. 1989

 

 

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