Por Joyce Cleide: Minha mão

      Costumo me dizer de uma mão desarranjada que ora assombra dias sólidos ora me impulsiona. Por vezes, quanto mais invisível é o riso em minha face, mais a palavra toma conta da minha vida. É uma palavra tão inquieta que não se conforma em ocupar apenas pensamentos vãos, pois se manifesta num versinho, numa prosa.

       Sabe Deus o que me acontece quando, por excessiva aflição, me derramo em lágrimas num papel! E, quase que sem querer, expresso parte da alma.

       Às vezes, mesmo consciente de que grito à solidão, busco uma resposta in(certa). Devolve-me o abismo, com parágrafos confusos, o que sei fazer, mas não reconheço. Não quero escrever, não quero falar de mim. Entretanto, quando acordo inquieta, manifesto dissabores, loucuras e quimeras.

       Um pensar, de repente, transforma o meu agir. Vivo à sombra do que diz minha “indecisa calma”. Adjetivo longe da criatura que eu sou. Porém, dizem (alguns dizem), que a expressão que mostro todo dia, é de serenidade. Quem me dera ser por dentro o que observam em mim! Tranquilidade? Talvez um riso disfarce bem. Mas, nem sempre, minhas entrelinhas são fotografadas pelo meu movimento. De forma desmedida, aperto os olhos como quem alarga o sorriso para omitir conflitos interiores. E, além disso, o que faço? Escrevo, re(escrevo).

       Ai, palavras minhas! Até quando irão perseguir os meus caminhos? Corro, fujo e me escondo.  E quando penso que ela foi embora, aparece, abre a porta e escreve. Essa minha mão!

Joyce Cleide