Do que é feita a saudade?

      Não aquela saudade de dias ou semanas, de mera viagem ou impossibilidade de tempo… Isso é apenas doce espera. Falo da saudade dos que nunca mais veremos, daqueles que muito amamos, mas que hoje são apenas memória, aliada a vestígios, roupas, mensagens, objetos, que até tentam servir de consolo, mas na verdade, bem verdade, não há nada que supere a presença, o sorriso, o cheiro, o abraço, o calor…

      Vivendo o dia a dia de trabalho, entre realizações e tropeços, seguimos, sem aquele ser ou aquela pessoa que tanto nos ensinou sobre o se importar com o próximo, mesmo em meio ao egoísmo de tantos… Que constituiu a nossa base, apontando os caminhos e ao mesmo tempo as consequências, inspirando ao mesmo tempo em que nos deixando prontos para também inspirar, a quem fosse preciso…

      E o que por muito tempo foi bela imagem, reforçada de cores, das mais fascinantes e divertidas, agora é quebra cabeça, desbotado, com peças desaparecidas, tragadas pelo tempo, e não há como substituí-las… Restando apenas o eterno olhar para as estrelas, à espera de algum sinal, um aviso, indicio, seja lá o que for… Tentando a ajuda até mesmo da ciência (quem sabe?)… À procura de respostas, algo que possa nos dizer, que possa nos provar, se um dia essa saudade, tão amarga, terá fim…

Claucio Ciarlini (inspirado na obra Interstellar)

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