Índio da Terra, Poesia de PH. Oliveira (Estreando em O Piaguí Virtual)

Na beira das matas
Segue o índio indigente
Desnudado com passos alerta
Com olhar negro que desperta
A vida mansa que lhe é ausente
Sua flecha na mão
De ponta bem envenenada
Não espera perder por nada
O almejo que lhe é presente
Pés se molham no rio corrente
Largas águas, barrentas e bravas
Não adulam nem se lhe for contente
Nem descobre sua fértil fauna
Parnaíba o batizara
Pobre índio sofrido de fome
Sozinho sem nome
Esquecido de sua etnia
Perdido sem alento ou família
Já passara e a terra nomeara
mesmo nome: Parnaíba
Cosmopolita “sofrenteˮ
Cantada nesse repente
Lá no alto do nordeste
Que aplaude e recita
Palco que implica
Excita mesmo descente
Sem luta ausente
Em te vivo, te desfruto
Como o índio:
Morto e enterrado
Lançado aos vermes
Consumido feito um prato
Anunciado como fraco
Vestido involuntário
Calçado os pés
Sem pinturas ou histórias
Desbronzeado pelas sombras celestes
Sem norte, sul, oeste ou leste
És o broto arrancado
À terra lançado
Sem água nem cuidado

Autor: PH. Oliveira

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