Memória Coletiva, por Zilmar Junior

Que tal devolvermos o país ao Império? –Seria um tanto retroativo para muitos. Falou o presidente, que arquivados em sua gaveta, tinha vários planos para a reconstrução de um novo Brasil. –Mas, senhor, as coisas andam mal por aqui, e quando não isso, nem andam, ficam estagnadas e sofrendo com a espera de uma outra proclamação que dê fim a isso tudo.

 –Ora, ora, claro companheiro, saiba que para acabarmos com um problema, primeiramente, (FT), ele tem que existir. Ele era o principal.

Saindo do recinto, dirigiu-se a varanda da grande casa e começou a observar seu povo. Quantos negros ainda teriam que morrer para o nascer de um país mais igualitário? Todos mais uma vez estavam escravizados pela nova CLT, e a princesa Isabel, bem longe em mérito de Penha, já não existia mais entre nós. O caminho era uma nova linha de tempo e de espaço.

Ainda inconformado com aquilo tudo, proclamava dentro de si mesmo, um novo golpe revolucionário. (Se não for muita ousadia a colação dessas duas palavras perto uma da outra). Ligou a um amigo e disse: –Eu matei o presidente!

Na perícia, nenhuma pista encontrada. Somente um texto pichado na parede, em tinta vermelha, datado em 15 de novembro:

Os falsos amigos chorando no caixão
O dinheiro voltando, sem contar um só tostão
A polícia batendo na gente do covil.
E o povo gritando: É isso que é Brasil.

Zilmar Junior

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