Nasce o Homem-Aranha (Spiderman), por Carvalho Filho

Certamente a aranha é uma das criaturas mais interessantes dentre aquelas que temos conhecimento, possuidora de habilidades que instigam a imaginação humana, além de um poderoso instinto de sobrevivência. Há um número impressionante de aranhas, existindo uma diversidade incrível delas. Algumas mais parecem brinquedos, de tão delicadas que aparentam ser, enquanto outras parecem monstros saídos de algum pesadelo. A famosa Viúva-negra, apesar da aparência frágil, é uma das mais venenosas, enquanto a enorme Caranguejeira pouco dano pode nos causar, diferente da pequena Aranha-Marrom, portadora de um potente veneno.

A aranha, para se ter uma ideia da curiosidade por ela despertada ao longo dos anos, está presente em um mito greco-romano. Conta-se que Aracne, uma serva de Minerva, desafiou a deusa na arte de tecer, e por ter vencido a divindade foi condenada a transformar-se em uma medonha criatura, noutras palavras, uma aranha. E tanto fascínio esses seres exercem que serviram de base para a criação de um dos mais importantes super-heróis da Marvel. Aliás, os heróis das HQs, e não fui eu quem o disse, correspondem aos antigos heróis míticos, ocupando o lugar antes destinado àqueles.

Sem mais demora, comecemos a falar do personagem que conquistou uma legião de admiradores mundo afora. Um jovem muito inteligente e tímido, Peter Parker, é picado por uma aranha radioativa durante uma exposição científica e adquire algumas de suas habilidades. Desse dia em diante sua vida muda. Ele tem os poderes, mas não se torna automaticamente um herói cheio de glória e sentimentos altruístas; embasbacado, resolve testá-los, aventurando-se na luta-livre. Mais parece um astro de cinema do que um herói, porém, um evento mudará sua relação com a incrível transformação. Seu primeiro erro, o exibicionismo, o segundo erro, a arrogância e o egoísmo, dois sentimentos demasiado humanos.

Até esse momento, o introvertido Peter Parker não passava de um estudante dedicado e impopular que vivia com seus tios, Ben e May, uma vida modesta e rotineira, sem grandes aventuras. Tudo muda com a aquisição dos poderes aracnídeos, para o bem e para o mal. Certo dia, Peter se recusa a impedir a fuga de um criminoso, justificando ao policial que lhe pediu ajuda, que aquilo não lhe dizia respeito. Ele não poderia imaginar as consequências daquela conduta. Ao chegar em casa, Parker se depara com carros de polícia em frente de sua casa e busca informações, acaba descobrindo que seu tio fora assassinado. Ouve no rádio a possível localização do criminoso e chega antes da polícia no local, devido suas habilidades superiores.

O garoto pacato é tomado de um sentimento de ódio. Facilmente encontra o homem que procurava e o desarma, no meio da luta, percebe que está diante do mesmo homem que não quis deter quando teve a chance. Com o ódio vem a culpa, o remorso, nesse momento arrepende-se por não haver respondido ao pedido do policial. Se pudesse, impediria a fuga e salvaria o tio Ben, mas não podia modificar o passado. A vida é feita de escolhas, e cada escolha traz uma consequência. Sente-se arrasado por dentro. Diante da dor, em meio a lágrimas, nasce o Homem-Aranha, um herói marcado pelo peso do remorso.

Quanto à aparência de nosso querido herói, ele não tem oito braços, tampouco oito patas, não tem um aspecto horrendo ou exótico. Na natureza o animal que o inspirou é um predador nato, adaptado ao meio; as características que dele foram utilizadas são justamente as mais surpreendentes: a teia e suas qualidades especiais (elasticidade e resistência), o forte instinto de sobrevivência (Parker é capaz de pressentir o perigo). Seja nas HQs, animações ou no cinema, sua popularidade é imensa e a cada dia parece aumentar.

Carvalho Filho