Poesia de Joyce Cleide: Verso, Verso

Sou irmã do verso
Que reveste a alma
Do verso que me recobre
Em calma
Do verso invertido
Da palma inquieta
Do sabor da palavra
Do sentido
Envolto de tudo
Cercado de nada
É ora livre
Ora preso
No punho da alma dolorida
Do poeta sonhador
Da imaginação. Quimeras!
Sou irmã do verso
Da rima
Do remador
Dos que não rimam
Que sentem dor
Ou que não setem (ilusão)
Dos que mentem
Ou omitem
Irmã da face desfigurada
Do riso meio torto
Do olhar instigante
Do passo vagaroso
De tudo o que é
E de tudo o que pode ser
Num poema

Joyce Cleide

*Foto: James Souza