Tirésias (ou Uma bicha na odisseia), por Alexandre César



Tirésias



Enrustida em brilhantina na pele de neméia

Segue destemida, chupadora de mil hidras,

Rasgadora de amazonas a intrépida persona

De uma bicha na odisseia.


Recolheu da terra

O arsenal de instrumentos fálicos

De seu amante encarcerado

Meio homem meio tauro.


Munida dos arcóides Filoctetes

Suas pernas de Midas as das ninfas ofuscarem,

Que em assombrosos filetes

Desejou por doze vezes,

Os trabalhos hérculares.


Aquiles digo antes que Pares

Entre glandes cerbéricas e bacos olhares,

Pois me consomem com o Hades

De um tártaro sorriso e os sofejos

Dos piros apolares.


Esta Górgona silvestre

Athenas horas impensáveis

Em que é megera,

Arranca a pomba de Tebas

E o Ícaro dos ares,

Fitando tritões aos mares

Qual fosse ela mesma a própria Hera.


Como um Ouroboros rutilante nas Nicéias

Seu olhar impetuoso tudo acusa

Como fosse uma medusa

Petrifica uma Garuda, uma Sereia

E uma Quimera.


Galgando rochedos ao Olimpo

Da esfinge tendo ouvido

Babados poderosíssimos

De um enigmático Narciso


Pisa como pluma

As abóbodas do mármore

E sabendo do desastre

Brada aos deuses

Dos céus aos mares.


Roga pragas e chora

Édipas tragédias,

De um vislumbre

Que pensou ter visto

Este ser bem quisto

Chamado Tirésias.



Alexandre César



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