Um exemplo de vida: A Trajetória de Neguinho Hot – Dog

  – Simpatia e perseverança!

        Talvez sejam as duas qualidades que levaram Francisco de Assis a vencer as adversidades da vida e crescer, sem que fosse preciso “passar por cima de ninguém”. Nascido em Porto (Piauí), no dia nove de novembro de 1970, tendo morado a maior parte da vida em Parnaíba, “Neguinho”, como é mais conhecido, vem de família humilde, perdeu o pai aos cinco anos e terminou de ser criado apenas pela mãe. Estudou sempre em escola pública e desde criança preferiu o trabalho ao invés do ócio como ele mesmo disse: “dos seis aos nove anos eu trabalhava vendendo alumínio, ferro (…) essas coisas que as pessoas compram como ferro velho, vendia bolo em fatias pela cidade; trabalhei em olaria, fui jardineiro em algumas casas, vendia até manga no Pindorama”. Apesar das dificuldades que sua condição lhe impusera, Neguinho sempre teve responsabilidade e tentou vencer a árdua batalha da vida pelo seu próprio esforço e suor: “minha mãe nunca me obrigou a trabalhar, eu fazia porque não queria ficar pedindo dinheiro na rua, e com isso podia comprar meus bombons, chocolates etc.”. Aos 10 anos voltou à cidade de Porto para continuar os estudos na casa da avó. Não ficou parado, lá vendia carvão, picolé e batata doce. Aos 13 morou no interior de Pirangi e trabalhou na roça por três anos. Aos 16 voltou para Parnaíba, onde morou “de favor” na casa de conhecidos; aqui, estudou em várias escolas: “estudei no Galhanoni, no Clóvis Salgado, no Edison Cunha e terminei os estudos no Lima Rebelo”; durante esses meses, trabalhou em serrarias, como ajudante de pedreiro, ajudante de eletricista e construiu calçamentos, como ele mesmo brincou: “eu era mil e uma utilidades”. Já aos 21 anos casou, na ocasião, trabalhava vendendo picolés na praia: “na época eu vendia picolé na praia e quando casei fui trabalhar na Kibon de 91 a 95”; a Kibon Sorvane (distribuidora e produtora de picolés e sorvetes), no ano de 1995, diminuiu seu quadro de vendedores de rua. A empresa achou por bem fechar a distribuidora em Parnaíba. O pagamento dado a ele por mais de quatro anos de trabalho foi o valor de 600 reais (e ainda parcelado em 3 vezes), porém, isso não foi o suficiente para causar alguma mágoa, ou ressentimento: “sai numa boa, depois comprei um carrinho de compensado, carrinho esse que pegou até muita chuva, estava todo inchado, comprei por 140 reais, mas eu pensei: é… Pra começar tá bom” (sic).

             A capacidade de nunca desistir e jamais perder o bom humor lhe foram bem úteis, pois, de carrinho de mão, teve que recomeçar do zero: “no primeiro dia levei 30 pães, uma panelinha com carne moída e uns refrigerantes, para o Colégio das Irmãs, tive medo de não vender, mas Graças a Deus vendi tudo…”. O negócio do cachorro-quente havia dado certo e com o passar dos meses, economizando bastante, ele pôde comprar uma Kombi.  Nas temporadas de dezembro a fevereiro, que não haviam aulas, Neguinho viajava para São Luis, no Maranhão, e ajudava seu cunhado numa empresa desentupidora de esgotos.

         O tempo foi passando e a Kombi foi substituída por uma Taunner. E ele não se acomoda em momento algum, além de hoje possuir dois transportes para vender cachorro-quente em diversos lugares da cidade e em Luiz Correia, tem um ponto comercial em casa e um empreendimento maior na Avenida São Sebastião; a comunidade do Orkut criada em homenagem a ele pelo estudante Glauber Rodrigues Lima, já possui 1.835 pessoas, de vários lugares como Teresina, Fortaleza, São Luis e Natal. Porém, a maior vitória desse piauiense batalhador não foi a sua independência econômica, ou suas conquistas comerciais, mas a humildade que até hoje permanece estampada no sorriso de um vencedor!

Claucio Ciarlini (2008)

* Originalmente publicado na edição 04 de O Piaguí, fevereiro de 2008.

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