“UM AMOR E UMA FITA ROSA”  (Leonardo Silva)

“UM AMOR E UMA FITA ROSA”  (Leonardo Silva)
São tantas coisas que seduzem o coração de um menino; são frutos de experiências típicas da idade e por isso constituem a beleza natural de ser criança: subir nas goiabeiras, assistir aquele filme de terror(bem típico dos anos 80 e 90),suar bastante para provar a capacidade de nunca perder nas brincadeiras de correr…Se deliciar com as cocadas saborosas e os doces de compota feita nos dias de caju em abundância; comer avidamente a carne assada nas fogueiras de noites juninas…Mas o que realmente importará mesmo é o despontar do amor.
Havia muitas meninas belas em minha pequena escola, algumas mais belas que as outras, mas uma destacavelmente iluminava a nossa brilhante e maluca sala de aula. Seu sorriso singelo e suas tranças douradas eram como tesouros que pendiam de sua cabecinha loira. A professora sempre nos colocava juntos; neste tempo, nasceu em mim o poeta, escrevendo versinhos bobos e ingênuos para meu pequeno querubim cá nesta terra:
“Nas nuvens, bonitinha
Brilha, brilha a minha estrelinha
Branqueia cadente
A minha florzinha
Beijar tua testinha
Segurar a tua mãozinha
E sonhar com tua voz
Na minha vidinha “

Ela sempre ria, pois, o amor na infância tem como primeiro sintoma a alegria, então quanto mais éramos amigos, mais estávamos juntos, afinal sua presença era de constante alegria. Num dia, após a tarde de provas (estudávamos no turno da tarde), saímos mais cedo e como já ia e voltava da escola sozinho (hábito criado pela minha mãe desde os 7 anos de idade), decidi ir a sua casa sozinho, como um explorador apaixonado, em busca de seu amor. Foi uma expedição longa e cansativa pelo desconhecido de 3 ruas e meia da minha casa; enfrentando vizinhos desconhecidos e cachorros ferozes pelas ruas; sentia-me o Indiana Jones em busca do amor querido!
Enfim a encontrei e logo bati palmas esperando a sua aparição gloriosa! Ela não tinha ido fazer as provas devido um compromisso com sua mãe e por isso poderia não estar ainda em casa…Esperei e logo mais palmas e derepente,sua figura branca com uma blusinha da Carla Perez ( antiga dançarina da Banda de Axé “É o Tchan” ) apareceu nas grades com seu sorriso inigualável, ela veio me atender e começamos a conversar e rir sobre tudo, brincamos com as palavras e fomos jogar um pouco de bola juntos; conheci seu quarto e sua coleção enorme de bonecas e alguns pôsteres de artistas que jamais tinha ouvido falar. Fiquei em sua casa até o escurecer e parti então, por precaução, para a minha casa. Foi a primeira vez que fui tão longe de casa, mas a expedição valeu a pena e fomos felizes por duas horas e meia.
Sonhei na minha cabeça de criança um amor para vida inteira, que infelizmente durou apenas este ano de 1998.Poucos meses depois, após as fatídicas provas de dezembro, nos dias finais soube de sua partida para a capital do Ceará e chorei. Chegou o dia da festa de despedida e ensaiei o beijo de despedida, talvez não devesse, mas achei que seria importante. Aproximei-me devagar e segurei em sua mão. Ela se virou e abriu a sua pequena mão e a estendeu até a e dentro dela estava uma fita rosa, com seu nome (que até hoje está guardada em meu caderno de anotações) e em troca de tamanha gentileza eu dei um poema, único, sem cópia. Nos olhamos com um olhar de eternidade e ela me deu um singelo beijo de menina e disse seu adeus, como eco em meu coração de menino…. As cocadas não eram mais a coisa mais doce que já tinha provado…. Ela sorriu e se despediu…Restou-me um amor no coração e uma fita rosa de recordação.

DEIXE SEU COMENTÁRIO