Entrevista com a jovem pintora Ana Catarina, por Jefferson Portugal

Ana Catarina é a autora das duas pinturas que ilustraram a obra Versania.

Sabemos que as pinturas dialogam com o livro “VERSANIA – Coletânea Poética”, e que foram feitas mediante algumas exigências, tais como: a pintura tinha que retratar, obrigatoriamente, uma paisagem com ventos e natureza. Mas dadas as inclinações subjetivas de cada artista, quais as suas inspirações pessoais que moveram cada traço do pincel sobre a tela?

– Bom, primeiro gostaria de dizer que fiquei muito feliz em ser convidada para pintar para o livro e também por ter minhas pinturas no livro em destaque. E agora sobre a pergunta, cada traço depois do início foi a vontade do fim, do término, que me moveram (riso). Mas no primeiro momento antes de fazer o esboço, a primeira imagem que me veio à cabeça quando me falaram sobre o vento e natureza, lembrei da árvore penteada daqui da cidade onde moro (Luís Correia). E logo depois as cores que queria colocar, isso para a primeira pintura (intitulada Cabelos Ao Vento), a segunda, (Carne Exposta), foi simplesmente a cor e o movimento, eu queria aquelas cores e aquele movimento e fiquei feliz com o resultado.

– Os títulos das pinturas são (em ordem de cima para baixo na orelha do livro) “Cabelos Ao Vento” e “Carne Exposta” – como veio esses títulos intrigantes?

– Eu não sou muito boa para títulos, e na verdade o único trabalho que dei nome antes dessas duas pinturas, foi a primeira e única até então, pintura em tela que fiz aos 21, “Constância”. Só dei os nomes quando me foram perguntados, a “Cabelos Ao Vento” foi por causa que pintei uma árvore inspirada na árvore penteada, ela é penteada pelo vento, logo os seus cabelos estão ao vento. A segunda “Carne Exposta” dei por causa de uma boa amiga, (Bárbara), com quem eu conversava enquanto pintava as duas obras, e ela foi, portanto, a primeira a ver as pinturas prontas e essa em especial ela me disse “parece carne” e “você precisa expor suas pinturas”, então eu lembrei desse comentário dela sobre essa pintura em especial e quando me foi perguntado dei esse nome de “Carne Exposta” por terem sido as primeiras impressões que tive da pintura.

– Pretende fazer posteriormente uma exposição dessas pinturas e outras?

– Sim, acredito que todos os que pintam ou desenham pensam em colocar suas obras em exposição um dia, mesmo que por apenas devaneios sem grandes pretensões. Seria ótimo uma exposição por ser uma forma de ter meu trabalho reconhecido, principalmente porque eu nunca tinha me admitido como artista, foi em uma conversa que tive com você (Jefferson) que passei a me considerar uma, pois até então eu só me tinha como “uma pessoa que gosta de desenhar e pintar”. Gosto de desenhar desde cedo, três/quatro anos. A pintura me veio um pouco “tarde” mais ou menos aos 21 apenas, mas gosto tanto quanto desenhar agora. Lembro do livro “Cartas a um Jovem Poeta” de Rainer M. Rilke (que através de uma aula com minha queridíssima professora de Filosofia – Solange – lendo uns poemas dele) este nos diz que se ao jovem poeta escrever for algo que ele julga necessário fazer e que não pode ficar sem, ele será assim um poeta! Eu peguei esse pensamento, junto com o que você me falou! Para mim é necessário o traço, o desenho e a pintura, tenho necessidade de fazer, e assim sou então artista.

– Existe algum pintor, ou algum movimento artístico que você admira? Existem pintores que te inspiram de alguma forma?

Sempre tem os pintores clássicos que a gente admira, afinal eles são únicos e clássicos por causa de sua forma de revolucionar a pintura, antes de começar a pintar eu já admirava bastante alguns. Mas jamais pintaria tendo como inspiração nomes como Monet ou William Turner, porque jamais chegaria me igualar de alguma forma ao que eles pintam. Dos quadros que me apaixonei quando vi a primeira vez a reprodução são “A impressão do sol nascente” e “O temerário de luta” respectivamente de Monet e William Turner. Esses são apenas dois nomes, mas existem outros artistas que são maravilhosos que admiro bastante. Gosto de pintores, os movimentos eu tenho poucos que posso dizer gostar, até porque conheço poucos, posso dizer que o Impressionismo e Expressionismo são os que mais gosto, também o Romantismo. Comecei a pintar por causa de uma exposição no primeiro “Menestrel” que teve na UFPI de Parnaíba organizada por um amigo que me disse para eu colocar algo para expor que ele queria meus desenhos lá. As pinturas foram em papel, como as que sou acostumada a fazer ainda, mas as pinturas do Menestrel foram mais como colorir com tinta um desenho a meu ver. Comecei a pintar com tinta, sem ser apenas para colorir um desenho, por causa de um pintor russo, (que eu pensei ser mulher durante um tempo), vi as pinturas dele em um site e me apaixonei. Ele é contemporâneo, eu passei a pintar por causa dele, pintar com tinta é algo recente para mim, comecei mais ou menos com 21 anos, repito, e, fiz quando vi os quadros desse pintor Anna Razumovskayao, (por isso pensei ser mulher). Os quadros dele são belíssimos, e eu pensei que poderia pintar ao menos parecido com ele de alguma forma.

– Em nome de todos nós que fazemos VERSANIA, um forte abraço em você, Ana Catarina! Obrigado por ter embelezado e enriquecido mais ainda nossa Coletânea Poética!

Jefferson Portugal

Foto: Célio Andrade.

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