NEGATIVE GREEN: Em busca da timbragem perfeita, por Naudiney Gonçalves.

 O verde negativo é interpretado como a forma de energia mais penetrante emitida por seres vivos ou outros elementos da natureza. Pelo menos essa é a visão dos radiestesistas em suas buscas por águas subterrâneas, corpos enterrados ou objetos escondidos.

Assim como os profetas da chuva nordestinos e suas varetas de madeira, a banda parnaibana Negative Green vasculha o ambiente para nos entregar um som lapidado, com ótimos timbres e vocalizações harmoniosas. A entrevista para o Jornal O Piagüi aconteceu no Centro Cultural SESC Caixeiral e nos revelou um panorama criativo e efervescente da atual cena alternativa independente.

Na ocasião conversamos com o baixista Levi Nunes, a guitarrista Savina Alves e a tecladista Tahiana Meneses a respeito do processo de gravação dos dois primeiros discos, a preparação para o lançamento do novo álbum, os cinco anos de convivência, os projetos paralelos e as apresentações ao vivo.

“Blue Tree Lunatic Hotel” foi lançado em 2014 com 10 faixas e era facilmente encontrado à venda em formato físico (CD) nos shows da banda. Hoje é artigo raro, mas felizmente é possível conferir o trabalho nas plataformas de streaming. “Sailors” traz ótimas influências do Britpop e uma gaita que paira como uma brisa leve de final de tarde na praia. A cara da banda.

Levi Nunes: “A diferença para o segundo disco é principalmente por conta do estúdio, equipamento, captação”.

Tahiana Meneses: “Os técnicos dos dois estúdios se garantem muito. No primeiro era o Naerton, mas não sei se ele ainda está gravando. No segundo trabalhamos com o Neném”.

Savina Alves: “Esse segundo estúdio apresenta mais estrutura. Os caras gravam de tudo, Gospel, Sertanejo, Forró”.

LN: “Queríamos trabalhar com o Neném porque ele tem ideias muito boas, pela questão de pensar na logística da música. Ele ficou à frente de um estúdio em São Luís (MA) e trabalhou com muitos estilos”.

TM: “Também tem o fato de que todos nós evoluímos em meio a esse processo. Acabamos nos envolvendo na própria produção. Entre 2014 e 2015 aprendemos muito no próprio estúdio”.

LN: “No primeiro disco, compúnhamos de quatro a cinco músicas por semana e tínhamos que dar conta. Gravávamos as demos em um aplicativo de celular, com um metrônomo e muitas vezes apenas com o microfone do próprio telefone. Outra grande mudança para o segundo disco foi a procura por uma melhor qualidade de gravação para a bateria”.

SA: “Outra diferença do primeiro para o segundo CD da Negative é que no primeiro entendíamos de equalização, mas não entendíamos de mixagem e masterização”.

Da esquerda para a direita: Tahiana, Levi e Savina.

“Officially Insane For The Benefit Of Mr.Walter” é o segundo registro da banda e abre os trabalhos com a faixa “Stevie”, um belo rock para se ouvir pegando a estrada. Em uma primeira audição fica claro o salto de qualidade. O baterista Dom Henrique alterna “descidas de braço” com técnica e essas são músicas que certamente irão sobreviver ao teste do tempo.

AS: “Cara, o lance dessa música (Stevie) é que pedi para o Neném imaginar que estávamos em uma perseguição de carros, todos de jaqueta de couro e lá em Cantagalo, que é uma área que tem por aqui. Eu usei uns simuladores de amplificadores mais antigos e de guitarras semiacústicas para conseguir um som mais retrô”.

A Negative Green já se apresentou em festivais como o Teresina Pop e em palcos tradicionais, como o do Club dos Diários, também na capital. Em Parnaíba já mapeou espaços culturais, como o Porto das Barcas, o Calçadão Cultural na Beira Rio e alguns bares e casas de show. O engajamento com o cenário cultural local demonstra uma relação de carinho com a cidade, tornando as suas apresentações verdadeiras intervenções, muitas vezes com a participação de artistas plásticos e de outros músicos.

TM: “Hoje nós pensamos a música autoral como tendo uma dinâmica diferente. É preciso expandir e dialogar com outras formas de arte”.

Essa mentalidade desaguou em novas cooperações musicais, como o Porto Fantasma e o Ultrópico Solar. A colaboração com outros compositores e a aproximação com as artes visuais fez surgir um coletivo que está em plena produção. A tão esperada revitalização da indústria parnaibana está acontecendo. Dessa vez em forma de uma usina cultural. Que venha o terceiro disco da Negative Green. E uma próxima entrevista também.

                                                                                  Naudiney Gonçalves para O Piagüi.

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