O Licantropo, por Alexandre César

Eis o fatídico rancor do homem

Roer insone, na noite, a solidão.

Como o cio de um cão, em vésperas de abate.

E sem fazer alarde

Se lançar ao mártir da imensidão

Ao lembrar o sol amargo

Que cozinha a carne de um escravo

Na tremura do látego que tange

A barganha dos quilates, pelo sangue.

O luar me espreita o escrito perfeito

Vislumbrando Calisto e Akras

Encomendo as palavras

De meu último soneto

Eis o fatídico temor do homem

É tentar a sorte, e levar a morte de consolação.

É mirar o amor e marcar de dor

Coração amador. E seguir adiante

Com sorriso infante, a mascarar o semblante,

De todo pavor

Não obstante, transmutação relutante.

Do poeta, desalmado serial.

Este argênteo lobo petulante

Que segue o Caronte no caminho naval

Eis o fatídico triunfo do homem

É temperar a fome com a cicuta da paixão

Emudecer a cálida verdade

E vender bandagens às lágrimas dos irmãos

Maldita a besta que rapina o pão

Fui eu! Cedi ao teu embuste

Como Édipo ou Licaão

Anseio perdão ao que me custe

Eis o fatídico filho do homem

Que lego a ninfomania da palavra

Há meu espirito de habitar o papel

Com o ardor de quem lavra.

Morri!

Cru e despido

Zoantropo embebecido.

Alexandre César

 

Imagem: domínio público virtual

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