TEOLOGIA DA LIBERTAÇÃO EM PARNAÍBA PI : Ação Social entre os pobres e Comunidades Eclesiais de Base em Parnaíba PI nos anos 1960 a 1980 (FABIANA DE CARVALHO RODRIGUES)

 

INTRODUÇÃO

O presente artigo  intitulado  TEOLOGIA DA LIBERTAÇÃO EM PARNAÍBA PI : Ação Social entre os pobres e Comunidades Eclesiais de Base em Parnaíba PI nos anos 1960 a 1980, tem como objetivo retratar as comunidades Eclesiais de Base e os movimentos populares na cidade de Parnaíba – PI, entre os anos de 1960 e 1980, buscando entender e analisar como a Teologia atuou e influenciou movimentos sociais populares a se organizarem em prol de direitos como a terra e melhoria de condições sociais para os mais necessitados.

O interesse pela temática surgiu no Terceiro bloco do Curso de História da Universidade Estadual do Piauí, na aula de Teoria II, que tratava sobre movimentos sociais e Teologia da Libertação. A partir daí iniciou-se a pesquisa sobre este tema buscando analisar o papel da Igreja Católica com relação às questões sociais, defesa dos direitos dos menos privilegiados e sua preocupação em conscientizar os indivíduos a lutarem pelos seus direitos, sem desconsiderar questões religiosas e como as camadas tradicionais do catolicismo acolheram esta forma de interpretar o catolicismo.

        O trabalho buscou fundamentação em teóricos da história da religião como Jackeline Hermam (2000), Mirceia Eliade (1995) que trazem como contribuição a religião e o seu papel na história. O elemento de formação das crenças e a sua questão cultural que no trabalho será voltado para a análise do estudo da Teologia da Libertação que trata da luta contra o sistema econômico vigente.

Sobre a Teologia da Libertação, fundamentou-se em Leonardo Boff (1986), João Batista Libâneo (1996) e Frei Beto (2002) que analisam o papel da Igreja Católica na América Latina e no Brasil nas questões políticas e sociais lutando contra a pobreza.

As fontes utilizadas são o manual das CEBS, as atas da Fundação da Igreja Nossa Senhora de Fátima,as atas circulares  dos Bispos diocesanos,jornais da época em estudo e depoimentos com membros  da Juventude Operária Católica.

Em relação ao desenvolvimento do trabalho,a  monografia foi dividida em  dois  capítulos: no primeiro capitulo será feito um breve histórico da Teologia da Libertação e  a formação das CEBS, e no terceiro a implantação do cristianismo  libertador  no  Piauí e em Parnaíba.

CAPÍTULO I

 

1.BREVE HISTÓRICO DA TEOLOGIA DA LIBERTAÇÃO

 

1.1 Quadro Social da Igreja Católica.

 

A preocupação da Igreja Católica com as questões sociais se deu no inicío do século XIX com a publicação da  Encíclica “Rerum Novarum: sobre a condição dos operários” escrita pelo Papa Leão XIII a 15 de maio de 1891, que inaugurou o que chamamos de Doutrina Social da Igreja.Este  pensamento vai muito além de apresentar uma simples alternativa ao capitalismo e ao marxismo,mas mostrar uma nova reflexão sobre a fé do ponto de vista social e associar a cosmologia à vivência da fé.  Em 1962, durante a Crise dos Mísseis em Cuba o Papa João XXIII decidiu interferir nas questões diplomáticas em Cuba pregando a paz,evitando assim um novo conflito entre EUA e Cuba, Algumas pessoas acreditam que esta mensagem, difundida pela Rádio Vaticano, teve muita importância na diminuição de tensões entre a União Soviética e os Estados Unidos e na consequente decisão de Khrushchev de iniciar o diálogo com os EUA.( BEOZZO,1993)mas os órgãos conservados da Cúria Romana diziam  que esta ação poderia ser vista com um viés comunista e que também esta instituição romana tinha como de evitar o perigo de se difundir o comunismo no mundo todo.

A partir deste acontecimento,em 1959, em Cuba, o Papa teve toda  especial na América Latina no que se refere à questão de paz, de enviar recursos financeiros, de enviar  padres estrangeiros ao continente, e investir na formação de seminaristas na América Latina. (BEOZZO,1993)O outro evento de suma importância na modernização da Igreja Católica foi o Concilio Vaticano II    
(11 de outubro de 1962  à 8 de dezembro de 1965),este concilio afetou as estruturas internas da própria instituição no que se refere o tradicionalismo, pois, o concilio pregava a língua de seu próprio país que seria utilizado na missa e não mais o latim, houve choque entre os setores conservadores. O outro objetivo era também o dialogo com a ciência. Este evento foi implantado no pontificado de João XXIII, líder religioso, que colocou a problemática dos pobres no Concilio Vaticano II, afirma o Psicanalista Pellegrino. Ele retrata o novo modo de ser igreja popular. (Pellegrino, Apud, Beozzo)

 

Ao decidir a convocação do Concílio Vaticano II, João XXIII contribuiu para mudar a fisionomia e a dinâmica dos formidáveis acontecimentos que agitaram nosso tempo. O Concílio ao meu ver, tornou-se fonte de uma reconversão da Igreja, cujo frutos se podem colher, por exemplo, na |Teologia da Libertação a opção preferência pelos pobres tem sua raiz do concilio vaticano II (BEOZZO, 1993, p.97)

 

O Papa era uma pessoa de origem simples, filho de camponês, mudou totalmente os rumos da Igreja Católica. Foi líder que pensou além de seu tempo inclusive nos mais fragilizado pelas questões políticas e econômicas,cotado como um papa de “transição” depois do longo pontificado de Pio XII Devido à sua bondade, simpatia, sorriso, jovialidade e simplicidade, João XXIII era aclamado e elogiado mundialmente como o “Papa bom” ou o “Papa da bondade“.Mas, mesmo assim, vários grupos minoritários de católicos tradicionalistas acusavam-no de ser maçom, radical esquerdista e heregemodernista por ter convocado o Concílio Vaticano II e promovido a liberdade religiosa e o ecumenismo(AGASSO,2013).

Mesmo assim a sua contribuição foi gigante para a história da religiosidade católica.

 

Como mais importante contribuição para a unidade, da parte da Igreja e, portanto como tarefa primordial do Concílio, João XXIII mencionou o programa de atualização da Igreja e de sua adaptação ao mundo moderno, A novidade estava na maneira direta como apontava as falhas da Igreja e insistia na necessidade de profundas mudanças. Nesse reconhecimento das limitações da Igreja não se via sinal de fraqueza, mas sim de força. O Papa antecipou por um ano a data de abertura do concílio: 11 de outubro de 1962. As igrejas que não eram unidas a Roma foram convidadas como Igrejas-Irmãs.(SILVA,2011,p.6)

 

O choque entre a teologia progressista e conservadoras aconteceu após o Concilio Vaticano II, ou seja, a primeira se comprometeu com as classes populares, a qual era adepta desta corrente renovada e a segunda estava em choque com os progressistas que se recusavam a se reunirem com os bispos brasileiros na sessão do concilio. Exprimimos assim o que se passava nesta ala conservadora.

 

(…) a partir da década de 1960, paradoxalmente ao abraçar a opção preferencial pelos pobres, a Igreja, em seu esforço de modernização, ainda uma vez progressivamente se afastaria do povo, ao desritualizar suas práticas litúrgicas. Fazendo o sacerdote voltar-se de frente para o público dos fiéis, ela o faz de certo modo voltar às costas para o Cristo, a Virgem e os santos do altar, nos quais o catolicismo tradicional sempre vira os símbolos de sua fé. Abandonado o latim e os solenes responsórios do canto gregoriano, substituído o órgão pelo violão, e os cantos devotos que falavam de Deus distante, mas familiar e acolhedor, pronto a ouvir e consolar as aflições dos homens, pelas novas canções militantes que convocam cada um à luta para que o Reino de Deus se realize na história, no discurso profético da Teologia da Libertação, o catolicismo perderia a antiga magia da fé tradicional que lhe proporcionavam suas celebrações revestidas de pompa. Perderia assim o encanto solene de sua liturgia, o esplendor de suas procissões e a alegria de suas festas que, cortando transversalmente a história, na longa duração sempre foram os meios pelos quais as grandes massas do povo, bem ou mau, se cristianizaram, ou reinterpretaram a fé católica na lógica de outras cosmologias afro-ameríndias. (PEREIRA, 2008, p.117)

 

         Neste contexto havia na Igreja Católica os que aprovavam as questões sociais e eram contra a repressão, estes eram chamados de comunistas e os que aprovavam a tortura de acomodados e omissos no que se refere à luta contra a pobreza.

 

1.2 O Advento da Igreja dos Pobres

 

As raízes da Conferencia Geral do Episcopado Latino-Americano de Medellín na Colômbia que se realizou em 24 de agosto a  6 de setembro de 1968 está nas encíclicas sociais de João XXIII, sendo a primeira Mater et Magistrade de 1961. Ela teve repercussão no Brasil nos governos de Juscelino Kubitschek e de João Goulart. Nos anos 1960, a entrada do capital estrangeiro no país, o desenvolvimento da ciência no que se refere à indústria automobilística, favorecendo os empresários e ocasionando um profundo empobrecimento na área rural onde teve como consequência a miséria, êxodo rural e a concentração de terras por parte dos latifundiários. Esta encíclica teve a profunda mobilização da igreja no que se refere à questão da reforma agrária. No governo de João Goulart esta carta papal causou um grande impacto por parte do governo em 1964: publicou o Estatuto do Trabalhador Rural, em que ocasionou revoltas por  parte dos latifundiários que tiveram receio de perder suas terras(claro estes queriam ser os donos da razão e provocou nos trabalhadores rurais um profundo sentimento antioligárquico, no que se refere  a questão da terra e as condições de trabalho). O Papa João XXIII, a partir da realidade brasileira, passou a mobilizar a Igreja sobre a questão da reforma agrária ou igualdade de todos e o acesso a terra (BEOZZO, 1993).

            Dez anos depois surge a Conferência de Puebla no México no ano de 1979, em que teve como contexto político a ditadura militar no Brasil e do Chile. No governo de Allende repressão e tortura.

 

Em nosso continente, imperava um capitalismo selvagem, redigido por regimes militares autoritários, uma cultura burguesa dita católica, sem a verdadeira seiva profético-cristã. Portanto o diálogo não podia vestir-se da inocência nem da suavidade do diálogo europeu. Teve de tomar um caráter virulento de embate com forças de opressão. (…) com a originalidade de inserir mais fortemente os pobres na compreensão do ser humano (LIBANIO, 1996.p.83-84)

 

 No Brasil a decretação do AI5 que instaurou, dentre outras ações nos pais, a violência contra todos que fossem considerados perigosos ao regime,incluindo  padres e indígenas, como o caso do assassinato do Padre Rodolfo Lunkenbein, do índio Simão Bororo e do outro religioso Pe. João Bosco. Eles foram mortos por protestarem contra o regime militar e a concentração de terras por parte dos proprietários e de estes não respeitarem os direitos de posse de terra pelos indígenas. A Conferência de Puebla não só conferia a garantia das terras indígenas, mas o respeito, aos seus direitos sobre tudo a sua cultura. A outra preocupação dos bispos nesta Conferência era a Pastoral da Terra, surgida na questão da expulsão de posseiros e do trabalho escravo tudo isso e também por causa da Rodovia Transamazônica,que  provocou grandes áreas de apossamentos por parte  dos grandes latifundiários responsáveis pela violência contra  os peões e seringueiros de Mato Grosso, afirma BEOZZO, 1993.

 

A preocupação com os índios, da resistência ao latifúndio e as multinacionais na Amazônia, a Comissão Pastoral da Terra foi  descobrindo que a mesma estrutura de violência e injustiça preside a posse e o uso da terra, no conjunto do país onde só  não tem vez aquele que trabalha na terra sem nunca possuir  ou então os pequenos  engolidos sem direitos e proteção (BEOZZO,1993, p129).

 

A atuação da Pastoral da Terra era denunciar a violência contra os peões e indígenas que utilizavam meios de tortura para tomar as suas terras. Os peões e indígenas não o direito a proteção da lei.

            A outra preocupação dos bispos de Puebla era o surgimento das CEBS, pois estas organizações se dedicaram as classes subalternas e o rápido crescimento destas comunidades em todo continente latino americano, afirma BEOZZO( 1993).

 

Ao contrario da Pastoral Indígena e a pastoral da Terra, ganham logo uma dimensão oficial e institucional dentro da conferencia dos bispos as comunidades de base, talvez por seu caráter popular mais espontâneo e por sua extrema difusão, chegando no país a umas 50.000 comunidades, não criaram um órgão representativo nacional (BEOZZO, 1993, p. 130)

 

A difusão das CEBS ocorreu em toda a América Latina. As CEBS, comunidades organizadas por religioso e leigos, desenvolviam trabalhos de conscientização política e de evitar o crescimento de religiões neopentecostais

O surgimento da Teologia da Libertação na América Latina ocorreu durante a Conferência Episcopal Latino Americana e no Brasil os seus principais protagonistas foram Leonardo Boff, Frei Beto, Libâneo  mas antes houve seus precursores que foram as organizações estudantis e educacionais que já  se preocupavam com as questões sociais.  Foram elas: Ação Popular(AP),JUC(Juventude Universitária Católica)e MEB (Movimento de Educação de Base. Eram organizações lideradas por leigos da própria Igreja Católica o seu discurso ideológico se baseava em documentos da instituição como afirma ( LOWY 2000).

As principais referências dos documentos são estritamente Católicas: Leão XIII, Pio XII e João XXIII.

O autor analisa que o discurso da JUC se baseia em documentos da Igreja Católica não somente de cartas papais e de santos. Mas este movimento estudantil fazia a própria leitura do pensamento marxista para entender a realidade brasileira

A Teologia da Libertação no Brasil desenvolvia como prática libertadora o compromisso político ao lado dos pobres;seu marco inicial ocorreu em 1971, quando o padre peruano Gustavo Gutiérrez publicou um livro denominado A Teologia da libertação.

Esta corrente teológica tinha como objetivo desenvolver uma prática de conscientização e estimulavam os movimentos populares de inspiração cristã como afirma LOWY (2001). A ideia fundamental que começa a germinar no bojo desta práxis, fruto da experiência junto aos pobres, camponeses, sem terra, aos favelados, aos trabalhadores, as mulheres negras e índios (LOWY, 2001, P. 15).

             A Teologia da Libertação religiosa através de sua prática manuscrita passa atuar ao lado das classes subalternas. Passa a lutar contra o capitalismo e as desigualdades sociais. A teologia da libertação por ter se apropriado do marxismo sofreu duras críticas por parte da cúria romana conservadora que desejava uma ideologia sem cunho marxista,pois o comunismo e o socialismo eras considerados uma ideologia nociva ao cristianismo e digno de excomunhão(desligamento do membro da Igreja,tornando impedido de exercer qualquer oficio religioso ou receber sacramentos) embora a Congregação para a Doutrina da Fé publicou dois documentos sobre esta teologia, Libertatis nuntius (“Instrução sobre alguns aspectos da Teologia da Libertação”), em 1984, e Libertatis Conscientia, de 1986, embora nunca tenha condenado formal e definitivamente a Teologia da Libertação

Como afirma LOWY face à pressão antimarxista de Roma e dos bispos conservadores em relação meramente instrumental com a ciência social marxista (sem a ideologia) aparece como uma posição mais fácil, defensável (LOWY, 2000, p.18).

             Assim a Teologia da Libertação desenvolveu uma Igreja Popular aquela que luta pelos interesses dos menos favorecidos mobilizando estes para lutarem pelos seus direitos e por um mundo digno para todos.

 

1.3  Formação das CEBS

O conceito de CEBS é bem discutido na Conferência de Puebla no México 1979, são comunidades que visavam atender os problemas de seu povo, e tinha como objetivo lutar pela transformação de um mundo melhor.

Estas organizações cristãs nasceram na América Latina em tempos de ditadura na qual estes regimes ocasionavam repressão. No Brasil estes movimentos eclesiais de base surgiram no contexto político de ditadura militar em 1975, no governo de Geisel onde a Igreja Católica utilizavam suas práticas pastorais de se doar aos pobres e lutando contra o regime militar. O seu auge foi no encontro em Vitória em 1975. Afirma BOZZO:

 

Pode-se avaliar o caminho percorrido pelas comunidades de Base pelos conclusão do I Encontro em Vitória onde  estas se comprometem “Em obediência ao Evangelho  e os apelos  da realidade vivida pelo povo, e a optar por uma evangelizadora libertadora, numa boa opção pelos oprimidos.(BEOZZO, 1993,P131).

 

Para o autor não é só obedecer o que está contido no Evangelho, mas também olhar a realidade dos pobres, ou seja interpretar o evangelho de acordo com o contexto sociológico da sociedade. vinculadas a uma igreja ou a uma comunidade com fortes vínculos, cujo objetivo é a leitura bíblica em articulação com a vida, com a realidade politica e social em que vivem e com as misérias cotidianas com que se deparam na matriz ordinária de suas vidas comunitárias. Através da hermenêutica do método ver-julgar-agir buscam olhar a realidade em que vivem (ver), julgá-la com os olhos da fé (julgar) buscando nunca perder de vista o dom da tolerância e o dom da caridade. Sem, no entanto, deixar que a razão fique obnubilada, e encontrar caminhos de ação e contemplação, mesmo que impulsionados por este mesmo juízo prático ou teórico à luz da fé (agir).

 

1.4 Ações pastorais e sociais das Comunidades de Base

 

A orientação das CEBS se dá através de três passos chamado método ver-julgar e agir. O primeiro passo consisti em analisar a situação da terra no país, ou seja, ver como povo vivência este problema e sua resistência sob opressão da terra. O segundo, o julgar, como o povo encara a situação da terra a partir da religião e o terceiro passo a agir: O valor da união do povo lutar e concretizar a proposta de reforma agrária (BOFF, 1986)

Esse método é aplicado para determinada realidade de um povo como, por exemplo: A partir da leitura popular da bíblia, ou seja, fazer uma reflexão dos evangelhos a partir do contexto sociólogo atual.

Na cidade de Parnaíba, na Paróquia de Nossa Senhora de Fátima, fundada em dezembro de 1966,localizada no centro da cidade, foi um local de ideias libertadoras inclusive na catequese era utilizado o método sociológico baseado na sociologia, a psicologia para entender o aspecto comportamental do indivíduo. E também era feita uma análise social da realidade baseada na conscientização na pedagogia de Paulo Freire (RODRIGUES, 2011).

Na mesma cidade era utilizada nas missas o manual das comunidades Eclesiais de Base era utilizado pelos padres redentoristas durante as missas, ou seja fazia a leitura popular da bíblia a partir  do contexto  sociológico atual e também tinha um ensinamento na qual o fiel tinha que praticar no seu cotidiano e a religiosidade popular.

             O padre Domingos Barnabé utilizava como metodologia no seu trabalho na Pastoral Operária, a leitura dos jornais, a notícia da televisão, ou seja, fazia uma reflexão de sua vida através dos problemas da sociedade(BARBÉ,1986).

             A metodologia das CEBS era voltada para a formação de um cristão militante, ou seja, lutar contra os problemas que a sociedade enfrentava e incentivava a participação dos cristãos para a construção de um país justo.

            O outro método que era utilizado para a formação dos leigos era o curso básico para animadores de base da autoria do Pe. Comblin, na qual analisava a biografia dos santos mártires. Ele lutou pela transformação de uma sociedade mais igualitária livre das desigualdades sociais. O curso mostrava uma formação para líderes das comunidades como guiar seu povo a cerca das injustiças  sociais. Um livro de troca de experiência de leigos e o povo durante os encontros também eram estimulados a consciência política para reivindicar os seus direitos de cidadão  e de lutar contra o sistema capitalista na qual este ocasiona as desigualdades sociais. Por isso este livro estimula o cristão militante.

             As CEBS estão envolta nos problemas ligados a terra como disputa por terras, falta de acesso a moradia. A dificuldade que o povo enfrenta é fruto de um sistema econômico desigual elitista. Estas comunidades precisavam de uma formação política para enfrentar estes problemas sobre tudo lutar pelos os direitos do cidadão (LIBÂNEO, 1996).

              Estas organizações cristãs se apropriaram dos personagens da Bíblia que lutavam contra a idolatria e a riqueza centrada nos personagens como Faraó, Césares e Herodes, figuras que apresentavam luxo e causaram nos seus impérios a escravidão e as desigualdades sociais.

 

CAPITULO II A TEOLOGIA DA LIBERTAÇÃO EM PARNAÍBA

 

2.1.Voz dos oprimidos: a opção da Igreja Católica pelos mais pobres

 

             No Piauí, as Comunidades Eclesiais de Base tiveram uma grande importância para lutar contra o poder das oligarquias tradicionais que assumiam o controle no poder do estado tanto político como econômico. Como afirma BRITO:

 

As forças políticas dominantes no estado experimentam uma “tradição continuada” de oligarquias tradicionais a grupos modernizadores” mantendo-se nas mesmas famílias o controle político e estadual; Almendra Freitas, Portella Nunes, Ferraz, Arcoverde, Melo Pacheco, Pires, Ferreira, Silva, Caldas, Rodrigues, Ribeiro, Gonçalves.Articulando-se no período pré-64, em torno de siglas partidárias dos antigos e conservadores(PSD- Partido Social Democrático), UDN(União Democrática Nacional),com mesma ênfase no populista PTB ( Partido Trabalhista Brasileiro) (BRITO, 1977, p.29).

 

A autora retrata que as oligarquias que tinham o poder do Estado, eram as mesmas famílias do período colonial, nos anos 60, atuavam no poder com efeito modernizador de transição, exceto o Partido Trabalhista Brasileiro, ligados aos operários.

            Nos anos de 1970, a Igreja Católica no Piauí, através dos padres italianos se mobilizaram em favor dos pobres, não somente isso,seguiram para luta política contra os problemas que afetavam o povo , como as desigualdades sociais, e  estimularam o povo para reivindicar seus direitos (BRITO, 1977).

Em Parnaíba na década de 1970, sob a ditadura militar, despertou a atuação da Igreja não somente para as questões sociais: a partir das atividades e de encontros, se instalaram as CEBS, cujo objetivo  era fortalecer os movimentos sociais e  organizar a luta pela terra e também o fortalecimento da classe operaria( SILVA, 2011).

Estas comunidades analisadas por Silva (2011) se encontravam localizadas na Paróquia Nossa Senhora de Fátima no Bairro Nova Parnaíba. A organização desta era desenvolvida pelos padres redentoristas que vieram da Europa para desenvolver os seus trabalhos sociais.

Assim nos fala Silva:

 

As pessoas das comunidades rurais e principalmente as de periferia próxima ao centro comercial, onde hoje vinga imponente a Igreja Matriz de Nossa Senhora de Fátima.Muniu-se desta nova doutrina, onde o homem evoluía das ladainhas ao patamar social Filosófico da política. Aprenderam a critica o sistema e criar meios de serem livres no País da opressão, da fome e da miséria.(SILVA,2011,p 27)

 

As Comunidades Eclesiais de Base eram organizações desenvolvidas pelos padres e leigos, com o objetivo de refletir os problemas sociais como, por exemplo, do bairro, família e incentivar a união e a participação nas lutas.

Beto afirma que as reflexões dos problemas deveriam ser feitas a partir do Evangelho e interpretadas com a realidade do povo. Estas organizações cristãs com força estimulavam várias mobilizações populares:

 

A partir da reflexão sobre os problemas do bairro, da família e do trabalho, elas ajudavam a criar ou recriar os movimentos populares autônomos (clube das mães, movimento custo de vida, loteamento clandestino, grupos de teatro, defesa dos posseiros e seringueiros, luta pelas causas indígenas) (BETO, 2001, p.8).

 

O autor analisa a partir de problemas no bairro, na família a participação popular, mas  para isso é preciso despertar no povo a consciência política para fazer reivindicação para estimular ou criar movimentos próprios.

Era preciso que as CEBS não se conformassem e questionassem, por exemplo: a falta de água no bairro, as condições de moradia. Para resolver estas situações era necessário estimular no povo sobre os  direitos básicos do cidadão.

As comunidades de base não vão acabar com todos os problemas, mas vão estimular o povo a pensar e se organizar sobre o acesso aos seus direitos. As CEBS não vão resolver todos os problemas da pobreza, mas pode despertar do povo do lugar mentalizar sobre os direitos mobilizar ações e reivindicações  (COMBLIN, 1986, p. 55)

Para o autor as CEBS não vão resolver todos os problemas, mas, era preciso refletir com as pessoas os problemas e despertar um espírito reivindicativo.

Os membros das CEBS se reunião para refletirem a palavra de Deus, discutiam  os problemas a luz da Palavra, e assim tentar resolvê-los e estimular a luta política.  O mais importante das CEBS é a conscientização política.

Através das CEBS possibilitou-se uma perspectiva de valorizar o pobre e despertar nele a luta pelo acesso aos seus direitos. Isso fez com que a Igreja Católica desse um passo para uma instituição militante do reino de Deus na terra, pregando contra a pobreza no Continente Latino Americano e dando voz ao povo que era até então esquecido.

A Teologia da Libertação através das comunidades Eclesiais de Base deu novos passos para renovação das estruturas internas da Igreja Católica e foi capaz de se erguer contra o estado repressor na América Latina que vivia sob regimes ditatoriais e excludentes.

 

2.2 Movimentos populares

 

           Os movimentos populares foram sendo estimulados pela Teologia da Libertação tais movimentos contavam com a participação do povo na luta contra os problemas que afetavam sobretudo, as desigualdades sociais, a falta do acesso ao direito. Estes foram importantes para a formação de militantes,a conscientização dos problemas do cotidiano.

A Igreja Católica atuou nos movimentos populares, sobretudo no regime militar. Estimulou seus fieis para um compromisso político e engajado na luta pelo acesso aos seus direitos afirma (SOUZA, 1986), Ser popular, esta ao lado dos movimentos populares, aderir ao povão, passa a ter valor em si mesmo (SOUZA, 1986,p119).

Os indivíduos quando aderem aos movimentos populares passam a lutar ao lado das classes subalternas, e isso era de suma importância para a Teologia da libertação.

            A Igreja Católica tem o papel social de atender ao apelo de seu povo e acabar com o conformismo e incentivar o desejo de mudar e transformar a sociedade  tornando-a mais digna. Quando uma instituição como a Igreja sacramentou os sentimentos populares, a  vontade de mudança encontrou um lugar  e o modo de ser  proclamada (SADER,2005)

As comunidades de base têm como objetivo mudar a realidade de acordo com os problemas em que enfrentam  e incorporando ao sentimento do povo a lutar por um  mundo igualitário.

Os pobres devem lutar pelas injustiças e não como aquele que explorado devido sua força de trabalho , mas aquele que tem mudança de atitude para sair da condição de pobre mais como alguém que luta.(BOFF, p.1).

As CEBS através de seus movimentos populares no Piauí, não atuaram tanto no campo político, mas sim um caráter educativo, por exemplo, clube das mães que tinha objetivo educar as mães para serem boas donas de casa, afirma MEDEIROS (1995).

 

Em Teresina e Floriano, já era visível a presença das massas urbanas, cujo padrão de vida era bem inferior aos das classes urbanas tradicionais. Sua organização em entidades representativas praticamente inexiste. São clientelas de centros sociais governamentais e da igreja nesse se formaram clube das mães educativo que reivindicativo (MEDEIROS, 1995, p.173).

 

            O clube das mães não atuavam no campo político, apesar das desigualdades no que se refere o padrão de vida era inferior ao das classes ricas estes movimentos tinham um caráter de educar mulheres nas questões das tarefas domésticas.

Além das atividades pastorais, muitos serviços englobam mulheres e homens em clubes e pequenas organizações: hortas comunitárias, clubes de mães, alfabetização de adultos e, muitas vezes, grupos de sustentação dos movimentos populares. Esses serviços destacam o compromisso das CEBs com os mais pobres e a relação conseqüente entre fé professada e vida concreta. É propriamente o compromisso com as camadas mais desfavorecidas da população que tornaram as CEBs profundamente ativas no campo social. O pobre não é visto como problema, mas como solução no processo de construir uma nova sociedade(SADER,1987,p. 199)

 

             A Igreja Católica quanto a Teologia da Libertação teve um avanço significativo no que se refere à participação e concentração da luta dos cristãos para uma sociedade igualitária semelhança com Jesus Cristo que contribuiu com o desenvolvimento pela (BOFF, 1989) extraído do Jornal Espalha CEBS.

          Os movimentos populares contribuíram para um progresso da humanidade na questão do acesso aos direitos e a conscientização política.

A luta popular surge na organização dos bispo e leigos que se organizaram em uma reunião dentro da igreja para refletir os problemas a partir do Evangelho e mobilizou os cidadãos para lutarem pelos seus direitos (SADER, 2005).

          As organizações das CEBS tomaram várias iniciativas, entre os quais reivindicar os problemas e propor melhorias para o povo ter acesso aos seus direitos, como aborda (SADER 2005).

 

Finalmente temos iniciativas coletivas através das quais as CEBS atuavam no seu meio; um mutirão para levantar um salão paroquial, organização de uma creche comunitária, a mobilização para reclamar da falta de ônibus, a circulação de um abaixo assinado para reivindicar a coleta de lixo, a organização de um movimento para defesa clandestina, ou dos direitos aos serviços de saúde de moradores do bairro, direito a educação e uma grande adversidade de organizações e movimentos populares (SADER, 2003, p.162).

 

2.3 A Teologia da Libertação em Parnaíba: implantação, perseguição e aceitação.

A Teologia da Libertação em Parnaíba foi implantada pelos leigos da Juventude Operária Católica (JOC nos anos de 1960, que tinha o objetivo de desenvolver trabalhos sociais com os operários, domésticas e  entre a populaçãoem geral,desenvolvendo projetos de conscientização política e lutando pelo acesso dos direitos do cidadão. Como afirma D. Francisca Frota:

“ O objetivo da JOC era desenvolver trabalhos de implantação de conscientização da classe operária e doméstica, acabou com a ditadura da libertação militar em Parnaíba, onde prendiam pessoas da igreja.”

 

O bispo Dom Paulo Hipólito, no ano de 1973, recomendou o estudo da mensagem de Paulo VI sobre o “L’Osservatore Romano”, jornal do vaticano que denunciava a tortura, na qual o papa não mencionava o Brasil pelo nome, mas pedia a mobilização de toda a igreja católica contra os atos praticados pelos militares. Afirma Hipólito:

“ Ao título de subsídio, o secretariado de Pastorae, manda-vos algum material para ilustração de cartazes apropriados, orações impressas enquanto, da nossa parte, recomendamos o estudo e o aproveitamento da mensagem especial de Paulo VI, divulgada no L’Osservatore Romano dia seis do mês em curso.” (Dom Paulo Hipólito, 1973, p-13)

 

A cidade de Parnaíba, principalmente a Igreja Católica, se mobilizou contra os militares, mas nem todos os que participavam das pastorais ousavam dizer abertamente, pois tinham medo embora fosse pequena a repressão.

 

As CEB’s influenciaram o final  da ditadura.Como nós estávamos longe da área de mais ação  de perseguições(sic),só nos colocávamos dando opiniões.Mas no final a nossa ação foi mais efetiva com manifestações e abaixo-assinados em favor das DIRETAS JÁ” (FROTA,2017)

 

No regime militar em Parnaíba nos anos 1977 e 1982, no governo de Batista Silva, ocorreu atuação da instituição católica contra invasões de terra que eram até então consideradas pelo prefeito ilegais. Essa invasão de terras aconteceu no Bairro Santa Luzia, na qual uma latifundiária tinha uma enorme concentração de terras e despejava de suas propriedades os mais humildes. Isso inquietou os padres redentoristas, inclusive o padre Pedro Calur, que lutou contra o impedimento desta invasão. Afirma Frota, que presenciou o acontecimento:

 

No bairro Santa Luzia houve invasões de terras, nas quais muita gente foi presa. O padre Pedro atuou contra a invasão na qual as pessoas humildes tinham que morar nas terras que pertenciam à latifundiária e esta não tinha o direito de despejar os desfavorecidos. (FROTA,2017)

 

A presença dos padres redentoristas, adotando práticas políticas para lutar contra as injustiças sociais, inclusive dos pobres, não deixou que o conformismo avassalasse a igreja. Esse acontecimento foi um dos motivos pelos quais a Teologia da Libertação não foi aceita pelos militares, latifundiários e pastorais da igreja. Alguns líderes da igreja viam a Teologia da Libertação como um perigo, por causa do tradicionalismo católico, no qual afirma Dom Paulo Hipólito,bispo de Parnaíba na época que retratava as práticas da Igreja Católica como os encontros de oração comunitária, o secularismo, adapta a igreja à realidade do povo no contexto do evangelho. Afirma o bispo:

 

Alega-se às vezes que os frutos de tais encontros, aliás, frequentes e disseminados, são quase sempre insignificantes, senão nulos, não justificando, por conseguinte, tantas viagens, despesas imprevistas e alterações no ritmo normal do trabalho planejado em cada comunidade. Entretanto, gostaríamos de lembrar que o fato desses ‘fracassos’ verificados e certos tipos de encontros mal planejados e mal realizados. (Hipólito, 1972, p-12)

 

Muitas pessoas, inclusive os padres e bispos, eram tradicionais presos à Romanização, a negação de tudo que era profano e apegado ao sagrado e à tradição.

O mesmo bispo retrata o secularismo na Igreja Católica que aos poucos ,deixa o sagrado pelo profano e o seu discurso sobre a Teologia da Libertação:

 

Por outro lado, neste tempo de ‘secularismo’, as profundas transformações sócio culturais com repercussão nas estruturas externas da própria igreja, ninguém deve negar a validade intrínseca destes encontros de oração comunitária, estudo sério, pessoal e aprofundado dos chamados ‘desafios’ à vivência autêntica do Evangelho, no contexto sociológico do momento atual. (Hipólito, 1972, p-13)

 

Vale ressaltar que a Igreja a alguns anos,vivia sob o longo pontificado de Pio XII e que ele mesmo persistiu no processo de centralização do poder clerical,por meio da Romanização e era de se esperar o embate com a Teologia da Libertação.

Dom Paulo criou a paróquia de Nossa Senhora de Fátima,para poder assistir ao povo que lá estava,mas  não dispondo de clero diocesano nomeou os padres redentoristas e confiou neste clero as ações sociais e conselho de bairro para dar melhores condições aos moradores, solicitar às autoridades soluções para os problemas do povo.

 

Sr. Bispo confiou o padre Raimundo Vieira e as irmãs do Jesus crucificado aos incipientes trabalhos de evangelização e humanização desta zona da cidade, surgindo até uma espécie de conselho de bairro, para interessar as autoridades locais e o povo na solução de alguns problemas de maior necessidade vigente. (Pe. Guilherme Condor, 1972, p-2)

 

Os padres desenvolviam trabalhos de conscientização política através da associação de moradores para solucionar os problemas do bairro, através de reclamação às autoridades, onde o clero pregava o evangelho a determinada realidade ou problema da cidade. Estes desenvolviam educação catequética, onde entrava o pensamento crítico no qual o tradicionalismo era forte. Os padres redentoristas quebraram o tradicionalismo, inserindo a participação dos indivíduos na missa.

Os padres redentoristas inseriam nas veias tradicionalistas o novo “bum” da liturgia, onde a língua local era usada e a participação da assembleia tanto nos cantos como na celebração ao todo, serviu para “quebrar” esses indivíduos que não aceitavam a nova forma de instrução. (SILVA, p-10, 2010)

 

Este clero redentorista não aceitou o tradicionalismo. Eles introduziram na liturgia da santa missa a participação dos fiéis na celebração e isso foi um choque  com os indivíduos que não aceitavam essa educação cristã. Era preciso que algo fosse feit. O vigário da diocese, Monsenhor Antonio Sampaio enviou uma carta dando as únicas funções dos clérigos desta paróquia.

 

No desempenho do dito encargo, deverá celebrar missa diariamente, pregará a palavra de Deus aos domingos dias santos, ensinando o catecismo, ouvir os fiéis em confissão com todos os direitos e ônus que compreendem o referido encargo. (SAMPAIO, 13, 05, 1962)

 

O monsenhor, como bom e tradicional sacerdote. preferia dar os clássicos sermões do que pregar uma analise social- crítica do evangelho na celebração da missa.

A Hierarquia Católica no Piauí,mesmo que em pequena parte  apoiou o golpe de 1964,porém  logo que percebeu a força tenebrosa que era usada  pelo regime,se opôs ao mesmo.  Afirma Cavalcante:

 

Quem outrora nos alcunhava de comunistas, por defendermos as reformas sociais, passara, já se vê, por radical mudança, num passe de mágica, muitos sacristãos deixavam de ensinar langorosos cânticos de louvor à revolução redentora e passaram a dizer contundentes palavras de ordem para animar as frequentes passeatas promovidas contra a ditadura. O lindo milagre da Teologia da Libertação. O feitiço virou contra o feiticeiro.” (CAVALCANTE, p-242)

 

O autor aborda a mudança de posição da Igreja Católica que antes parte do clero piauiense apoiou a ditadura militar e ia contra as pessoas subversivas que eram consideradas comunistas. E a partir de uma reviravolta, a instituição católica, quando percebeu as atrocidades da ditadura, passou a mudar de lado, ou seja, contestou o regime.

Para a implantação da Teologia da Libertação no Piauí, houve resistências, principalmente  aos setores tradicionais ligados ao regime e as mais abastadas,que temiam uma revolução como a russa ou a cubana e que poria fim em seus privilégios. Percebe-se que foi a mesma coisa que aconteceu em Parnaíba.

Muitos católicos engajados na JOC e JCE e militantes leigos e religiosos ficaram com temor das consequências dos atos praticados pelos militares, suspenderam suas atividades político religiosas enquanto outros não tiveram medo, lutaram até pela desarticulação da ditadura.Foram esses os elementos ‘populares’ que emergiram da fundamentação intelectual e institucional ocorrida no interior da igreja na década de 50 e no início da de 60. No entanto, muitos católicos outrora ativos suspenderam sua militância com medo das consequências. Mas outros leigos e religiosos não cederam.

Muitos indivíduos tinham medo de ser presos, outros tinham coragem para lutar pelas injustiças sociais causadas pelo estado autoritário militar.

A igreja foi a única instituição capaz de se erguer contra os militares e mobilizar todos os seus membros acerca da defesa dos direitos que se referem ao ser humano, não somente isso, se sensibilizar pelos pobres através das reformas sociais como retrata Skidmore:

“ Era também considerada a Igreja Católica mais progressista do mundo, reputação que conquistou como defensora dos direitos humanos e de reformas radicais para ajudar os pobres.” ( SKIDMORE, p-362)

O autor afirma que a igreja foi a única opositora capaz de se erguer contra o regime. Ela se destacou nos direitos humanos, pessoas que eram torturadas, presas ou mortas pelo regime.

 

REFERÊNCIAS

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BETTO ,Frei: O que é Comunidade Eclesial de Base. 2ª edição. Editora Brasiliense São Paulo:, 1981.

BOFF, Leonardo. Francisco de Assis e Francisco de Roma..   Disponível em:  https://leonardoboff.wordpress.com/2013/03/29/francisco-de-assis-e-francisco-de-roma/

BOFF,Leonardo.Como fazer Teologia da Libertação.1ª Ed. Paulinas,São Paulo,1986

BRITO,Paulo .MovimentosPopulares no Piauí. 1ª Ed. Teresina.1997

CHOWSKY,Noam o que Tio Sam realmente quer.Ed Universitária.São Paulo,1999

COMBLIN,José. Curso Básico para animadores de base.1ª Ed.Petropólis.Vozes,1986

ELIADE,Micéia.O Sagrado e o profano.1º Ed Ática,São Paulo,1997

HERMAN,Jaqueline. História das religiões e religiosidade. In.CARDOSO,Ciro Flamarion e VAINFAS,Ronaldo (org).Dominios da História.Campus,Rio de Janeiro,1997.

HOBSBAW,Eric J. Era dos extremos.Companhia das Letras,São Paulo,1995.

LIBÂNEO,João Batista.Cenário da Igreja. 1ª Ed. Loyola.São Paulo,1996.

LIBÂNIO, J.B: Gustavo Gutiérrez, Edições Loyola ,São Paulo, 2004

LOWY,Michael,Marxismo e Cristianismo da América Latina-artigo.

MEDEIROS. Movimentos sociais. In Piauí: Formação,economia e desenvolvimento..SANTANA,Raimundo(org) Teresina.1995.

PRADO,Luís.História,contemporânea da América latina(1930-1960) 1º ED. Universitária.São Paulo,1960.

SADER,Eder.Quando os Novos Personagens entravam em Cena:Experiencia,Falar e lutas dos Trabalhadores Em São Paulo(1970-1980) Paz e Terra,Rio De Janeiro.1987.

SILVA,Leonardo Rodrigues da. EPIFANIA MODERNA OU DESVIO DE DOUTRINA:  A saída dos católicos para o protestantismo neopentecostal devido às aplicações do Concilío Vaticano II em Parnaíba(1960-1980) UESPI.Parnaíba,2011

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Considerações finais

A teologia da Libertação é mais que um evento histórico que criou uma realidade nova na América Latina, sobretudo no direito dos pobres na luta contra a tortura e o acesso aos direitos dos cidadãos. A busca pelo ecumenismo diálogo com as religiões. Houve divergências entre o clero progressista e conservador.

Ser teólogo da libertação e ser marxista era algo condenado por parte da cúpula tradicional da Igreja católica. Muitos não aderiram na qual a fé se tornou prática política e não devoção ao sagrado.

Viveram-se períodos de uma prática libertadora onde a igreja atuou nos diversos movimentos populares sobre a melhoria das condições de vida do povo.

O salto que a teologia da libertação tornou um novo modo de ser a Igreja dos pobres lutando pelos os menos favorecidos, a Igreja passou por uma crise desde o concilio Vaticano II onde a instituição abriu-se ao lado do popular da secularização, adaptação da modernidade e importância dos leigos.

A teologia da libertação foi ,sobretudo ,uma importante hermenêutica que mudou os rumos da Igreja católica nos anos 1960 á 1980 que atuou nos direitos humanos e as questões sociais, os movimentos sociais que uniu o povo.

 

 

 

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