Uma D R entre pássaros, por Aírton Porto


     Costumo acordar cedo todos os dias e liberar minha cachorrinha para fazer xixi. O sol dava a cara, poderoso, radiante e esplendoroso, sinal de um belo dia após vários de tempo bonito de chuva. Bom para nós, para os bichos, para as árvores e os pássaros. Bom para tudo! Bom para os pássaros?

     Observei um farfalhar, uma bulha, de bater de asas, que vinha do galho de uma árvore. Eu e a Nina olhamos para cima, e vimos um lindo casal de Rolinha-fogo-apagou (Columbina squammata) se esgrimindo. Bom, acho que estão se acasalando, pensamos nós. A Nina saiu, e fiquei ali em pé, observando aquele comportamento atípico.

     Então, resolvi filosofar, que “na acepção atual dos termos, o amor socrático envolve sensualidade e sexualidade, enquanto o platônico apenas o aspecto espiritual. Ambos se aplicam ao amor entre pessoas de sexos opostos ou do mesmo sexo, mas, normalmente, quando se fala de amor socrático, fala-se do amor entre dois homens, mas não é apenas o caso”. (Google)

     Bom, todos sabem que rolinha não é gente! Vejo com frequência, casais desses bichinhos comendo sementinhas pelo chão do meu quintal. Sempre tive uma admiração por aquela união. São unidos, até que a natureza os separe. Lindo, não? Não é como o amor entre os homens.

     “O amor entre marido e mulher é uma grossa bandalheira. É degradante que um homem deseje a mãe de seus próprios filhos”.(Nelson Rodrigues). (Google). Não liguem muito para o que diz Nelson Rodrigues.

     Nelson Rodrigues sempre tratou certas temáticas – inclusive o amor -, destilando humor ácido. Porém, é importante que vejamos o que Freud fala do amor e o sexo: “A psicologia do amor segundo Freud. 1) A sexualidade é a fraqueza de todos – e a Força : Sexo é o principal motivador e denominador comum para todos nós. Mesmo os indivíduos aparentemente puritanos e mais prudentes …” (Google).

     Enquanto isso, o casal continuava com o arranca-rabo, pulando de galho em galho, para o meu desespero de um expectador impotente. Porém, resolvi consultar mais um filósofo, antes de fazer qualquer tipo de intervenção, naquilo que considerava uma D R, lembrando-me da máxima popular de que “briga entre marido e mulher, não se deve meter a colher”.

     Por último fui buscar Nietzsche(eu tinha que ouvi Nietszche… por que não?). Para Nietzsche, “aquilo que é feito a partir do amor acontece além do bem e do mal” (Gloogle). Uffa, vou interferi!

     – Psiu, ei, parem com isso!

Aírton Porto, fotógrafo e pseudoescritor

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